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quarta-feira, 23 de março de 2011

Em Barras, famílias da Vila Esperança cobram solução para inundações

A Associação Comunitária da Vila Esperança de Barras realizou na manhã de 22 de março - Dia Mundial da Água -, em parceria com a Cáritas Brasileira Regional do Piauí, uma Audiência com a Prefeitura Municipal e a Câmara Municipal para tratar do problema de inundações do local. A audiência aconteceu na sede da associação e contou com a participação dos moradores, secretaria do meio ambiente, infraestrutura, Comissão de Defesa Civil e vereadores.

Segundo os moradores e moradoras, o problema na Vila é antigo e foi decorrente da ocupação do local. Quando as pessoas começaram a ocupar o lugar, foram retirando barro para a construção das casas o que resultou na formação da lagoa. Nos períodos de chuva a lagoa transborda, deixando as casas do seu entorno debaixo d’água.

Lagoa nasceu do processo de ocupação da vila

Como encaminhamento da reunião, o secretário de meio ambiente, Francisco de Assis Carvalho, se comprometeu em tentar resolver a situação enquanto as chuvas ainda não estão severas. O engenheiro da prefeitura deverá visitar o local e fazer um laudo técnico apontando a solução possível para o problema. Uma nova reunião com os moradores e moradoras foi marcada para o dia 29 de março (terça-feira), quando o engenheiro já deverá apresentar o laudo.

Os vereadores que compareceram à audiência se comprometeram em fazer o possível para cobrar soluções para o problema e aprovar o projeto que irá ajudar a melhorar a vida das famílias da Vila Esperança.

O trabalho da Cáritas em Barras

A Cáritas trabalha há alguns anos no município de Barras com projetos de geração de renda, garantia de políticas públicas e apoio emergencial.

No período de emergências, a Cáritas mobiliza paróquias e dioceses para a realização de campanhas de doações de alimentos, materiais de higiene e limpeza, roupas e agasalhos; e articulação com o poder público e Defesas Civis Municipais participando das comissões. Em Barras nas ultimas enchentes, foram atendidas 680 famílias com cestas básicas, kits de higiene e limpeza e filtros. Além da construção de 15 casas (entre zona urbana e rural) pelo projeto Reabilitando Vidas.

O projeto Trilhas de Liberdade, iniciado em 2004, contribuiu para a erradicação do trabalho escravo, especialmente na região da Amazônia Legal e do Nordeste, onde se concentra o maior número de casos. As experiências desenvolvidas pelo projeto Trilhas de Liberdade representam um ponto de partida na geração de alternativas de trabalho e renda para pessoas em risco de aliciamento e/ou resgatados do trabalho escravo.

Com o projeto Trilhas de Liberdade, a Cáritas apoiou as comunidades Taboca e Jardim/Formoso com ações de Geração de Trabalho e renda, como o beneficiamento do Coco Babaçu e Piscicultura, Campanha contra o Trabalho Escravo. Participaram diretamente do projeto 85 famílias, as quais receberam capacitações, organização político-social integradas aos princípios da agroecologia e Economia Popular Solidária.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Beneficiamento de frutas: trabalho e vida no Semiárido piauiense

Em meio às serras do município de São Raimundo Nonato, sudeste do Piauí, nasce o Assentamento Fazenda Lagoa Novo Zabelê. O assentamento fica numa área de seis mil hectares, a 12 quilômetros da zona urbana do município.

Há 11 anos, as 251 famílias que foram transferidas da área ao redor do Parque Nacional Serra da Capivara para o assentamento, ainda não possuem terra registrada e, até agora, esperam uma iniciativa do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para solucionar a questão. O Parque Nacional da Serra da Capivara é um parque arqueológico com uma riqueza de vestígios que se conservaram durante milênios, acredita-se que o primeiro homem americano viveu nessas terras.

Mesmo diante da dificuldade, os moradores não deixaram se abater e tentam recomeçar suas vidas no local. Diversas iniciativas de projetos desenvolvidos pela Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato vem transformando, desde 2004, a vida das famílias do Novo Zabelê.

A partir de projetos como Dom Helder Câmara (PDHC), que visa desenvolver ações estruturantes para fortalecer a Reforma Agrária e a Agricultura Familiar no Semiárido nordestino, no seu Plano Operativo Anual (POA) proporcionou o registro do assentamento em 21 ações e diversas atividades nas seguintes áreas: sementes; galinha caipira; higiene, limpeza e beleza; frutas; forragem; apicultura; horta; fitoterapia e artesanato. O projeto é um acordo de empréstimo entre o Governo Brasileiro/Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrário (FIDA) que vem contribuindo para o crescimento e alegria das famílias que ali residem.

Uma atividade de destaque é a iniciativa de um grupo de 07 mulheres que trabalham com o beneficiamento de frutas nativas como umbu, caju e maracujá, além de goiaba, fruta típica do assentamento. Lucimar Rodrigues de Macêdo (responsável pela comercialização), Maria Onélia Martins (caixa de beneficiamento), Sandra da Silva Oliveira (controle de estoque), Carmelita da Silva (controle de qualidade), Maria Luciene Miranda (controle de caixa), Ana Claudia da Silva (comercialização) e Aldenora Cardoso (coordenadora) compõem a casa de beneficiamento de frutas.

Dona Maria Onélia lembra que o projeto começou com a visita de técnicos - agentes da Cáritas Diocesana ao assentamento, informando sobre os diversos projetos para a região. E como na área se planta caju, goiaba, umbu e maracujá e muitas das árvores frutíferas estavam sendo devastadas, as mulheres decidiram investir nessas frutas e assim, foram testando receitas.

No início, cada uma das mulheres trazia os produtos necessários de casa, como açúcar, panela, colher e juntas compravam o gás de cozinha. Os doces eram produzidos em uma casa, bem simples, cedida por um morador do assentamento, mas depois de dois anos, o grupo organizou uma casa para fabricação.

Em 2005, com um projeto de capital de giro, também beneficiado pelo Projeto Dom Helder, as mulheres puderam custear as despesas de luz, água e gás e também comprar os materiais necessários para a produção, como açúcar e as frutas, estas são fornecidas pelas famílias do próprio assentamento, de acordo com a safra agrícola.

Das frutas, as mulheres produzem doce, licor, geléia, rapadura, cajuína (caju), um processo de beneficiamento que vem transformando a vida do grupo.

A atividade mudou a rotina de Dona Onélia, pois antes, ela vivia no percurso da roça para casa, passava mais tempo na roça do que na comunidade. E diz que pegava sol e chuva, numa rotina intensa de trabalho pesado. Enquanto hoje, a realidade é outra, ela trabalha na sombra e conversando com as novas amigas.

Através do Plano Setorial de Qualificação (PLANSEC), programa de qualificação de grupos do Governo Federal, o grupo recebeu capacitação em diversas áreas como produção, beneficiamento, cooperativismo, divulgação, plano de negócios, certificação e meio ambiente. Hoje, as mulheres são convidadas para contar a experiência delas em intercâmbios e feiras.

Texto original publicado no boletim "O Candeeiro" nº 17, por Sabrina Sousa Edição: Mariana Gonçalves