terça-feira, 9 de novembro de 2010

Oficina para radialistas debate convivência com o semiárido no Piauí


A Articulação no Semiárido Brasileiro, Asa Brasil, vai realizar nos dias 17 a 19 de novembro, em Picos, a Oficina Estadual de Radialistas pelo Semiárido. O objetivo da oficina é sensibilizar os radialistas para a importância da comunicação na divulgação de ações de convivência com o Semiárido. Será uma oportunidade também de aproximar comunicadores(as) populares ligados às organizações da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) e radialistas que trabalham na região semiárida piauiense.

A oficina terá um público de 25 pessoas, entre comunicadores populares, pessoas que trabalham com a comunicação nas entidades que desenvolvem o Programa Um Milhão de Cisternas Rurais, radialistas que atuam na região semiárida e membros da Assessoria de Comunicação da Asa Brasil (Asacom).

Na oportunidade haverá uma apresentação da ASA com breve explanação do que é a Articulação e do trabalho que vem sendo feito no Semiárido. Os participantes conhecerão também o trabalho da AsaCom e sua estratégia de comunicação.

Visitas para conhecer experiência de convivência com o semiárido serão realizadas, elas serão a base para o desenvolvimento dos trabalhos. Os participantes vão praticar roteiros para rádios, elaborar peças radiofônicas, como spots, programetes ou radionovelas, com a temática voltada ao que viram nas propriedades visitadas.

A oficina está sendo promovida pela ASA, em parceria com a Cáritas Regional do Piauí. Esta atividade,faz parte de um conjunto de seis oficinas que serão também realizadas nos estados da Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Alagoas. Essas oficinas estão previstas dentro do projeto entre a ASA e a Cooperação Espanhola.

Programação:

17 de novembro

8h - Acolhida e apresentação dos participantes
Apresentação da oficina
Debate: Convivência com o Semiárido
12h - Intervalo almoço
14h - Continuação do debate sobre Convivência com o Semiárido
Preparação das visitas
Preparação de entrevistas e roteiros
18h - Jantar
19h - Cinema com pipoca e roda de diálogos

18 de novembro

6h30 - Saída para as visitas
11h - Retorno
12h - Almoço
14h - Produção e gravação dos materiais radiofônico
19h - Jantar com noite cultural

19 de novembro

8h - Apresentação das peças
Debate sobre Radio e Convivência com o Semiárido
12h - Almoço
14h - Avaliação e encerramento

Paula Andréas, comunicadora popular CERAC/ FPCSA/ ASA Brasil

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Diocese de Picos aborda Segurança no Trânsito na Semana da Solidariedade 2010


A Cáritas Brasileira empreende de 5 a 12 de novembro ações voltadas para a Semana da Solidariedade, onde através de iniciativas que se materializam nas comunidades, paróquias, dioceses e regionais reafirma o seu interesse na construção solidária de uma sociedade justa, igualitária e plural.

O objetivo da semana é estimular a sociedade para uma cultura solidária, levando em conta a marca de dom Hélder Câmara, com a orientação sobre "SOLIDARIEDADE: Qual o nosso olhar?".

No âmbito nacional, a campanha será voltada para a questão das mudanças climáticas. A Cáritas Diocesana de Picos, tendo em vista as necessidades locais, reuniu seus esforços para falar sobre o Trânsito, propondo refletir sobre esta realidade, discutir soluções e cultivar boas iniciativas que gerem solidariedade, respeito à sinalização, às leis de trânsito e a principalmente respeito à fragilidade da própria vida.

Estatísticas revelam a violência no trânsito a partir de dados obtidos pelo Hospital Regional Justino Luz, que atende vítimas de Picos e da macrorregião, bem como do SAMU, que é acionado para o salvamento de vítimas com vida em acidentes ocorridos na cidade.

Entre março e agosto deste ano o HRJL realizou o atendimento de 1.245 vítimas de acidente, destes, 194 sofreram politraumatismo, incluindo 16 mortes. 218 sofreram fraturas, 433 passaram pelo procedimento de sutura e 400 tiveram escoriações.

Dados do SAMU também denotam esta realidade, entre julho de 2006 e setembro deste ano, 1.830 vítimas foram atendidas por acidente de moto, 285 por acidentes de carro, que totaliza 2.115 atendimentos por acidente no trânsito, incluindo 243 óbitos.

Acima de estatísticas e números, são vidas que se perdem causadas por algum tipo de imprudência, seja o abuso na velocidade, muitas vezes combinado com álcool, o desrespeito às leis e sinalização, ou até mesmo a falta de sinais que informem os perigos da estrada. Além das vítimas que causam os próprios acidentes, existem também aquelas que sofrem com a imprudência dos outros condutores.

Motivada por essas e outras situações, a Cáritas Diocesana de Picos vivência esta semana refletindo, "Solidariedade no Trânsito: Qual o nosso olhar?" E convida toda comunidade, condutores, pedestres, famílias que já perderam pessoas vítimas de acidente, meios de comunicação e autoridades, para juntos efetivarem ações no sentido de melhorar o trânsito e preservar a vida.

Confira a programação abaixo:

05/11 - Sexta-Feira
06h00 Missa de abertura na Igreja Sagrado Coração de Jesus
08h00 Distribuição de folders em Picos e demais municípios da Diocese
12h00 Entrevista na TV Picos
18h00 Visita às Universidades UFPI e UESPI

06/11- Sábado
12h00 Debate sobre o trânsito em Picos na Rádio Cidade Modelo FM, com a Cáritas e instituições responsáveis.
19h00 Encontro com famílias e condutores de veículos sobre vítimas no trânsito - Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro - Bairro Ipueiras (Próximo ao SAMU)

07/11- Domingo
07h00 Participação no Programa Vida Missionária na Rádio Educativa de Picos, Cultura FM.
16h00 Encontro com famílias e condutores de veículos sobre vítimas do trânsito na Igreja São João Batista - Conjunto Petrônio Portela - COHAB.

08/11 - Segunda-Feira
08h00 Visita às escolas públicas de Picos
10h00 Mesa Redonda "Humanização do Trânsito: Qual o nosso olhar?" com autoridades do trânsito e Ministério Público na Rádio Educativa de Picos Cultura FM.
16h00 Visita à Faculdade R.SÁ e IFPI

09/11 - Terça-Feira
08h00 Visita às escolas particulares de Picos
12h00 Entrevista na Rádio Difusora AM
19h30 Encontro com as famílias e condutores de veículos sobre vítimas no trânsito no Salão Paroquial da Catedral de Picos.

10/11 - Quarta-Feira
06h30 Reprise da entrevista na Radio Difusora AM na Rádio Liderança FM
12h00 Entrevista na Rádio Nordeste AM

11/11 - Quinta-Feira
19h00 Palestra em parceria com o Detran-PI sobre orientações no trânsito - Igreja São Francisco de Assis - Bairro Junco

12/12- Sexta-Feira
06h00 Missa na Rádio Educativa de Picos Cultura FM
18h00 Carreata e Caminhada saindo da Praça Dr. Antenor Neiva (em frente ao Hospital Regional) com destino à Catedral Nossa Senhora dos Remédios, encerrando com Missa e Bênção dos veículos.

Lana Krisna - Pascom - Diocese de Picos

Semana da Solidariedade inicia com atividade em escola da rede pública


A Cáritas Brasileira Regional do Piauí promoverá uma atividade de conscientização ambiental na manhã desta sexta-feira (05) para os alunos da Escola Municipal Roberto Cerqueira Dantas, no bairro Monte Verde. A atividade que acontecerá a partir das 10h, dá início à Semana da Solidariedade, promovida todos os anos pela Cáritas Brasileira.

As atividades acontecerão a partir de teatro de bonecos e brincadeiras, e finalizará com uma ação de reflorestamento ao redor da escola. Será disponibilizada uma muda para cada turma, a qual deverá eleger o guardião da árvore e cuidar dela durante todo o ano.

Todos os anos, a Cáritas Brasileira dedica uma semana no mês de Novembro para o diálogo acerca da Solidariedade. De 05 a 12 de novembro diferentes iniciativas que acontecem em todo o país a partir das comunidades, paróquias, dioceses e regionais. Com o tema “Solidariedade: qual o nosso olhar?”, a Cáritas convida a todas as pessoas a voltar o olhar sobre quem somos e reafirmarmos nossa identidade como parte da construção de uma sociedade justa, igualitária e plural.

“Entrando já em diálogo com a Campanha da Fraternidade de 2011 que tem como tema meio ambiente, a Semana da Solidariedade incentiva a reflexão a partir das alterações climáticas e da vida no planeta. A proposta é fazer essa reflexão voltada para os efeitos nas comunidades mais vulneráveis, as quais sofrem mais quando ocorrem catástrofes naturais”, explica Hortência Mendes, Secretária Regional da Cáritas.

Programação Estadual:

Teresina:
05/11 – 10h às 12h – Atividades de conscientização ambiental na escola municipal Roberto Cerqueira Dantas no Bairro Monte Verde. Finaliza com uma ação de reflorestamento com os alunos.
06/11 – 07h às 12h – Visita missionária com o voluntariado na comunidade Pulsazeiro, município de Nazária. Atividades: agroecologia, preparo da terra, plantio e almoço comunitário.
12/11 – 07h – Missa em ação de Graças na Igreja do Centro Pastoral Paulo VI.
8h30 – Café da manhã comunitário.
9h – Seminário:
- Solidariedade e Mudanças Climáticas: causas, efeitos e como enfrentar os problemas – Luís Claudio “Mandela” – Secretariado Nacional da Cáritas Brasileira
- Ano da Caridade – Padre Tony Batista – Vigário Geral da Arquidiocese de Teresina

Campo Maior:
12/11 - Manhã: Celebração Eucarística na Assembleía Diocesana de Pastoral.
12 e 13/11 - noite - Feira de Produtos da Economia popular Solidária.

Bom Jesus
Durante a semana de 05 a 12/11 - Palestras nas escolas públicas sobre Meio Ambiente e Solidariedade.

Parnaíba – Durante todo o mês de novembro - Oficina de Rádio e Encontro sobre Solidariedade.

Floriano:
04 e 05/11 - Encontro dos grupos de Economia Popular Solidaria.

Picos:
Na semana deste ano, a Diocese de Picos irá abordar a Solidariedade no Trânsito
05/11 - Abertura - Missa na Rádio Cultura FM e distribuição de folders na avenidas principais de Picos - 06h
06/11 - Encontro com famílias e condutores de veículos sobre vitimas do trânsito – 19h
07/11 - Encontro com famílias e condutores de veículos sobre vitimas do trânsito – 16h
08/11 - Visitas as Universidades, escolas públicas – 08h
- Mesa Redonda: “Humanização do Transito: qual nosso olhar?” – 10h
09/11 – Encontro com famílias e condutores de veículos sobre vitimas do trânsito – 19h30
11/11 – Palestra em parceria com o Detran – PI sobre orientações no transito – 19h
12/11 - Caminhada da Vida no Trânsito e benção dos veículos – 06h

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Meio milhão de pessoas vota a favor da limitação da propriedade de terra no país

No Piauí, 22,5 mil pessoas opinaram acerca da limitação

O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo entregou ontem (19 de outubro) à sociedade brasileira o resultado do Plebiscito Popular sobre o Limite da Propriedade, realizado de 1º a 12 de setembro. Participaram deste plebiscito 519.623 pessoas, em 23 estados brasileiros e no Distrito Federal. Só não participaram do mesmo, Santa Catarina, Amapá e Acre que optaram por fazer o abaixo-assinado, somente. Eram admitidas à votação pessoas acima de 16 anos, portanto em condições de votar.

Duas foram as perguntas formuladas às quais se devia responder sim ou não. A primeira: “Você concorda que as grandes propriedades de terra no Brasil, devem ter um limite máximo de tamanho?”. A segunda: “Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade?”.

95,52% (495.424) responderam afirmativamente à primeira pergunta, 3,52% (18.223), negativamente, 0,63% foram votos em branco e 0,34%, votos nulos. Em relação à segunda pergunta os que responderam sim foram 94,39% (489.666), 4,27% (22.158) responderam não, 0,89 % foram votos em branco e 0,45%, votos nulos.

Segundo o Fórum, o fato de mais de meio milhão de pessoas se posicionarem afirmativamente em relação à necessidade e à conveniência de se colocar um limite à propriedade da terra, é um indicador expressivo de que a sociedade brasileira vê a proposta como adequada. É uma amostragem do que pensa boa parcela do povo brasileiro. As pesquisas de opinião ouvem duas ou três mil pessoas e seus dados são apresentados como a expressão da vontade da sociedade.

Dados do Piauí – No Estado a votação também congregou uma quantidade significativa de votos. Foram cerca de 22.500 votos em todas as regiões do Estado, o correspondente a 4,3% do total de votos do país. Do total de votos do Piauí, 98,2% das pessoas foram a favor da limitação da propriedade rural, 1,4% foram contrárias à qualquer tipo de limitação e 0,4% dos votos foram brancos ou nulos.

Votos por região do Estado:
Teresina: 13.369 em 16 municípios;
Picos: 3.157 em 19 municípios;
Parnaíba: 1.870 em 08 municípios;
Floriano: 1.159 em 08 municípios;
Bom Jesus: 1.113 em 08 municípios;
Campo Maior: 396 em 05 municípios;
São Raimundo Nonato 1.237 em 04 municípios.

O plebiscito – Criada em 2000 pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA), a Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra: em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar, é uma ação de conscientização e mobilização da sociedade brasileira para incluir na Constituição Federal um novo inciso que limite às propriedades rurais em 35 módulos fiscais. Áreas acima dos 35 módulos seriam automaticamente incorporadas ao patrimônio público.

A introdução desta medida resultaria numa disponibilidade imediata de mais de 200 milhões de hectares de terra para as famílias acampadas, sem despender recursos públicos para a indenização dos proprietários. Esses recursos são hoje gastos em processos desapropriatórios e que poderiam ser empregados no apoio à infra-estrutura, ao crédito subsidiado e à assistência técnica para os assentamentos.

De acordo com os últimos dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) em 2006, no Brasil, 2,8% das propriedades rurais são latifúndios e ocupam mais da metade de extensão territorial agricultável do país (56,7%). Em contrapartida as pequenas propriedades representam 62,2% dos imóveis e ocupam apenas 7,9% da área total.

Vale lembrar que mais de 70% dos alimentos produzidos para os brasileiros provém da agricultura camponesa, uma vez que a lógica econômica agrária tem como base a exportação, principalmente da soja, da cana-de-açúcar e do eucalipto. O Brasil tem a segunda maior concentração da propriedade fundiária do planeta.

Além da geração de empregos no campo que poderá aumentar. Segundo do Senso Agropecuário de 2006 do IBGE, 74,4% das pessoas ocupadas no campo vem da agricultura familiar, sendo que a cada 100 hectares emprega 15 pessoas. As empresas do agronegócio empregam apenas 1,7% pessoa em cada 100 hectares, sendo que a grande a maioria trabalham em regime de escravidão.

Estrutura Fundiária do Piauí – O Piauí é um dos estados que possui uma das maiores concentrações fundiárias do país. Os imóveis classificados como “Grandes Propriedades” representam apenas 2,29% do total de imóveis rurais, mas ocupam uma área equivalente a 53,01% do total de hectares do Estado. No país, esse percentual fica em torno de 3% do total das propriedades rurais do país que são latifúndios, ou seja, tem mais de mil hectares e ocupam 56,7% das terras agricultáveis. Os números preocupantes constam no Atlas Fundiário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Ao todo são 2.814 imóveis cadastrados pelo Instituto, sendo que somente 237 são considerados produtivos, ou seja, 2.577 não atingem os índices de produtividade. Os imóveis classificados como Minifúndios representam 67,11% dos imóveis rurais, no entanto, ocupam apenas 9,77% do total da área em hectares.

Já outro nó econômico da questão fundiária no país está na improdutividade das terras. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) considera que 62,4% da área do total dos imóveis rurais no país são improdutivas. No Piauí, esse percentual chega a 49,54%, de acordo com os dados do Incra.

Grande parte das grandes propriedades é mantida por conta da especulação imobiliária. Isso acontece porque a terra tem importância por seu valor de mercado. Se ganha produzindo em uma propriedade rural, mas também se ganha deixando-a parada, esperando a especulação imobiliária cumprir seu papel aumentando o valor do hectare.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nosso jornal impresso versão online

Nosso jornal impresso já está circulando, mas se você ainda não teve oportunidade de recebê-lo, pode acessar por aqui. Clique em "full" para exibir em tela inteira e para sair do modo tela inteira, basta apertar a tecla "esc" do teclado.

Boa leitura!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Solidariedade e Meio Ambiente

“Não há um Planeta B”


Estamos colhendo hoje o que plantamos na nossa história humana na face da terra. Sobretudo a partir da revolução dos últimos quatro séculos. A humanidade, movida pela racionalidade da técnica e da ciência, construiu o mundo que habitamos, trazendo para nós todos os confortos que ela nos pode oferecer. Vivemos bem, muitíssimo bem! Entretanto, o mundo do progresso ilimitado, do absoluto da técnica e da ciência, hoje tem dificuldades de sustentar seu próprio discurso e prática.

O mito da solução dos problemas criados pela técnica e pela ciência através da própria técnica e ciência, hoje não tem sustentação. Nós esbarramos nos limites da nossa morada, do nosso planeta, que tem sua própria lógica, da qual nós somos parte e não senhores. Nossas reflexões e atitudes em relação à Ecologia, são periféricas, não atingem a questão central dos problemas ambientais e sociais. Mas, quando o olhar se volta para o coração do problema, então temos um horizonte de pavor.

O mundo muda e observar suas mudanças às vezes é simples, às vezes é extremamente complexo. Há bem pouco tempo não ouvíamos falar em Aquecimento Global, na questão Ecológica, na Biodiversidade, na crise Civilizatória. Nossos grandes problemas e desafios eram apenas de ordem social, mas o progresso era inquestionável. A qualquer custo tínhamos que progredir. Não se trata aqui de procurar o que há de pior no mundo, mas de refletir e reconhecer que pessoas e a natureza, hoje, já sofrem as conseqüências do modelo de desenvolvimento e do tão sonhado progresso escolhido por aqueles que dirigem a humanidade.

Citamos apenas as questões – chave para visualizarmos melhor o mundo atual em que vivemos:

1. A QUESTÃO DA ÁGUA – Hoje, cerca de 1,2 bilhão de pessoas no mundo não tem um copo de água potável para beber. Aproximadamente 4 mil crianças morrem por dia por doenças veiculadas pela água;

2. A QUESTÃO DA TERRA – Os solos ocupados hoje por agricultura estão em cerca de 1,5 bilhão de hectares. Continentes inteiros como África, Ásia e Europa não tem mais solos a serem ocupados, a não ser ocupando áreas de riscos. A América Latina ainda teria solos a serem ocupados pela agricultura, mas isso significa devastar mais ainda os cerrados, a Amazônia e a caatinga. Portanto, essa realidade significa que a humanidade terá que buscar alternativas para conviver com os solos que têm hoje para saciar aproximadamente os nove bilhões de pessoas que deverão estar na face da terra em 2050.

3. A PERDA DA BIODIVERSIDADE – Só os vegetais são capazes de produzir seu próprio alimento através da fotossíntese. Nós, humanos, somos capazes de manejar nossos alimentos, mas não de produzir a matéria prima que necessitamos para se alimentar. À medida que as florestas vão sendo devastadas, há um empobrecimento vegetal, animal e diminuição de disponibilidade das águas. Por conseqüência ocorre o empobrecimento da variedade, das cores, dos sabores, da nutrição, ou seja, toda cadeia que sustenta a vida.

4. AQUECIMENTO GLOBAL – A emissão constante de gases na atmosfera, originados principalmente pela queima de combustíveis fósseis, modificou o invólucro da terra chamado atmosfera. Hoje, a Terra está doente e necessitando de cuidados.

5. MODELO DE DESENVOLVIMENTO – A humanidade fez uma opção de desenvolvimento que agride a vida e exalta a dimensão econômica, que se sobrepões às outras dimensões da vida humana e as condiciona. Um modelo baseado na depredação, exploração e acumulação.

Diante da crise ecológica, fruto da crise civilizatória, qual é o nosso papel? Quais os grandes desafios? Temos que mudar de atitudes e romper com o modelo de desenvolvimento que acumula riquezas, explora as pessoas e depreda a natureza. O mundo do capital consumista soube legalizar seus pressupostos. Então, para muitos, basta executar as regras do mercado, obedecer à sua ética, legalizada, para obter tudo que buscam. O MUNDO ESPECULATIVO É UMA FORMA DE OBTER FORTUNAS SEM ONERAR A CONSCIÊNCIA.

A depredação da natureza, através das madeireiras, carvoarias, biopirataria, agronegócio etc, é outra forma de agredir o espírito da vida. Tem muita gente que se pretende ético e justo usufruindo o mundo da especulação, da exploração, da depredação da natureza e da acumulação. Essas posturas carregam em si bases éticas e morais profundamente questionáveis diante das exigências de uma nova maneira de se relacionar com o meio em que vivemos. Pois, a crise ambiental provocada pelo “progresso humano” coloca para a humanidade contemporânea o desafio de se vivenciar uma nova ESPIRITUALIDADE DA VIDA. Essa nova Espiritualidade, que denominamos SOLIDARIEDADE ECOLÓGICA, implica em profundas mudanças de atitudes, pessoais e coletivas, sobretudo, na maneira de cuidar e de se relacionar com as pessoas, a natureza e o mercado.

Por isso, a salvação da humanidade e do planeta Terra, passa por uma outra lógica, a prática da SOLIDARIEDADE ECOLÓGICA”. Baseada na solidariedade humana, tem sensibilidade com a justiça e respeito pela criação, sabe que essa sensibilidade é também um dom do espírito que paira sobre todas as vidas e pessoas e sopra onde quer. Na ação solidária com a Terra, reside a possibilidade de prosperidade da humanidade.

Carlos Humberto Campos - Sociólogo e Assessor da Cáritas Brasileira Regional Piauí

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Componha o Hino da Romaria da Terra e da Água do Piauí

O Regional Nordeste 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil já começou a organizar a 12ª Romaria da Terra e da Água do Piauí. A equipe de comunicação lançou o regulamento convidando os artistas do Estado para contribuir com a organização do evento no que diz respeito à elaboração do Cartaz e do Hino da Romaria.

Veja o Regulamento e participe!