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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Criatividade das famílias ajuda a encher cisternas calçadão no Piauí

Na comunidade Capivara, 12 quilômetros da zona urbana do município de Massapê do Piauí, uma canalização diferente chama atenção das pessoas que passam pela porteira da casa de dona Teresinha Vita de Jesus. Essa canalização liga o telhado da casa da agricultora à sua cisterna calçadão construída através do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), através da Cáritas Brasileira Regional do Piauí.

Dona Teresinha conta que ganhou sua cisterna em 2008, mas com o inverno fraco e a chuva pouca nunca tinha visto sua cisterna encher. Foi quando seu filho, Sebastião José de Araújo – o Bastim -, viu a idéia do agricultor Luis Gonzaga Carvalho, o Luís da Apolônia, que é seu vizinho.

“Meu filho viu que ele tinha puxado uns canos do telhado para o ‘cisternão’ e a gente resolveu fazer também. Quando a cisterna pequena enche, a gente engata os canos do ‘cisternão’. Desde que a gente recebeu essa cisterna ainda não tinha visto ela encher, por causa do inverno fraco. Agora com a água que escorre do calçadão e das telhas ela enche e é rápido”, conta a agricultora.

Dona Maria das Mercês dos Santos Reis, esposa do seu Luis da Apolônia, conta que a invenção surgiu quando a família viu a cisterna pequena sangrando e a água da chuva indo embora. Até então seu Luis ainda não tinha visto ninguém fazendo igual. “Ele viu que o cano enchia a cisterna pequena e resolveu experimentar ligar o telhado, que é bem grande, no ‘cisternão’ também”.

Na casa do seu Luís da Apolônia e dona Mercês, uma parte do telhado enche a cisterna pequena e a outra parte ajuda a encher a cisterna grande. E ainda sobrou telhado sem calha. A intenção do casal é buscar uma forma de aproveitar essa parte também. “Ano passado só encheu por causa dos canos, pois a chuva foi fraquinha. Se a gente pudesse tinha outra cisterna dessa para colocar essa água que ainda vai embora, porque água aqui é difícil”.

A estiagem no Piauí ano passado foi uma das maiores da década. Na região de Picos, onde o município de Massapê fica localizado, as últimas chuvas de 2010 caíram no mês de maio. Em Caldeirão Grande, município vizinho a Massapê, dona Eliene Josefa moradora da comunidade Pau Ferro - na contagem pluviométrica que faz todos os anos -, chegou a registrar a precipitação de somente 376 mm de chuva durante todo o período. No semiárido Piauiense o nível anual médio de precipitação é de 700 mm.

Mariana Gonçalves - Comunicadora Popular ASA Brasil/ FPCSA/ Cáritas

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Livro sobre a história do Projeto Fecundação será lançado nesta sexta (25)

Diversas experiências coletivas tem se multiplicado em todo o Estado na busca de melhores condições de vida para as famílias excluídas, principalmente no ambiente Semiárido, cujas condições climáticas, à primeira vista, parecem adversas. O Projeto Fecundação, uma ação pioneira da Cáritas Brasileira implantada a partir de 2001, veio contribuir com as famílias e comunidades empobrecidas do semiárido através do acesso à água de qualidade e em quantidade suficiente para o consumo humano. Além do desenvolvimento de conhecimentos e apropriação de saberes habilidades e técnicas da agropecuária apropriada para a convivência sustentável com a Caatinga, bioma predominante na região.

Para contar a história de como esse projeto começou no Piauí, a Cáritas Brasileira Regional do Piauí apresentará na próxima sexta-feira (25), às 9h no Centro Pastoral Paulo VI, o livro “O Sonho Construído em Mutirão: uma experiência de convivência com o semiárido”. O livro descreve toda a trajetória do projeto, desde sua idealização, passando por diagnósticos e resultados concretos no município de Coronel José Dias, local de implantação do projeto-piloto.

Através do olhar da Cáritas sob a trajetória desenvolvida pelo projeto, buscou-se retratar os impactos sociais, ambientais e culturais desta experiência, mostrando as ações desenvolvidas, o caráter dessas ações, os desafios que elas nos apresentam e sua importância para o povo da região na busca da melhoria das condições de vida e garantia geração de renda.

O trabalho foi fincado em quatro eixos de ação: Gestão, Recursos Hídricos, Produção Agropecuária Apropriada e Educação Contextualizada. Com destaque para esta ultima que buscou levar o tema “Convivência com o Semiárido” para a sala de aula das escolas municipais. Foram realizadas 09 (nove) oficinas pedagógicas com os professores da rede pública municipal. Essas oficinas culminaram com a elaboração do Plano Municipal de Educação de Coronel José Dias, plano este com bases nas potencialidades e possibilidades locais.

Resultados concretos do Projeto Fecundação

Recuperação do Barreiro Grande
01 Barragem Subterrânea
Limpeza de 02 Barreiros
40 famílias Capacitadas em Gestão de Recursos Hídricos
30 pedreiros capacitados em construção de cisternas
700 cisternas construídas
Marcação de 03 poços (hidroestesia)
Seminário Gestão de Recursos Hídricos
Limpeza do açude Salininha
Levantamento de poços para instalação de BAP’s
Cursos de técnicas de fenação, apicultura e ovinocaprinocultura
Curso de sanidade animal
Aquisição de 426 animais para a melhoria do rebanho
Aquisição de 82 toneladas de silagem
Casa de mel de Curral de Ramos
Curso de qualidade e higiene do mel
Aquisição de animais e material dos apriscos do grupo Barra do Campestre
03 grupos de criadores de caprinos e ovinos
02 grupos de apicultores
Inserção de sementes forrageiras na agricultura – 90 famílias
Otimização das culturas de caju e umbu com compra de mudas
Curso de técnicas em fruticultura – 20 famílias
Curso de manejo do solo e tecnologias apropriadas
Plantação de 33,74 hectares de caju
Curso de técnicas, gestão e comercialização de artesanato – 20 famílias
Oficina de produção de cajuína
Criação de Cooperativa de beneficiamento de frutas
Curso de fabricação de bombons de chocolate com recheio de umbu
09 oficinas pedagógicas de Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido
Plano Municipal de Educação de Coronel José Dias norteado pela Educação Contextualizada