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terça-feira, 14 de junho de 2011

Parceria constrói mais 11 cisternas no Piauí

Federações e comitês solidários de bancos tem fortalecido ações em comunidades do estado

Uma parceria entre o Comitê Betinho do Banco Santander, Fenae – Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Nacional, o Comitê Verbo Divino do Banco do Brasil e a Cáritas Brasileira Regional do Piauí construirá mais 11 cisternas no interior do Piauí. As cisternas fortalecerão ações de Convivência com o Semiárido desenvolvidas pela Cáritas no município de Sigefredo Pacheco, Diocese de Campo Maior, através de uma parceria com o Banco do Nordeste.

A previsão de recursos disponibilizados é de R$17.827,4, sendo o custo unitário da cisterna de R$1.623,40. Junto com a cisterna está previsto curso de capacitação em Gestão de Recursos Hídricos, que ensinará as famílias o cuidado com a água da cisterna para mantê-la sempre potável e a não desperdiçar para que dure durante todo o período de estiagem.

Na seleção das famílias, a comissão gestora levou em consideração critérios como: casas com pessoas idosas, com mais crianças, chefiada por mulheres, dificuldade de acesso à água potável. As famílias beneficiadas tem em média 05 (cinco) integrantes, fazendo com que o projeto atinja cerca de 55 pessoas.

Em geral os municípios do semiárido são pobres, tem economia com base no setor primário, agregando condições que os colocam na mesma escala no Índice de Desenvolvimento Humano - IDH, o qual fica em torno de 0,50. De acordo com o ultimo levantamento do PNUD, o IDH de Sigefredo Pacheco é de 0,58.

Ação conjunta fortalece o voluntariado e a solidariedade

Cisterna construída em São Gonçalo do Gurguéia

O Comitê Betinho foi pioneiro em São Paulo na ação solidária para a construção de cisternas (tanque abaixo do nível do solo que acumula 16 mil litros de água da chuva para beber e para uso doméstico). O trabalho iniciado em 1998 com diversos parceiros permitiu a construção de 184 cisternas em diversos estados do Nordeste do Brasil. Em 2009 o Comitê Betinho ajudou a Cáritas a beneficiar 06 (seis) famílias com água de qualidade para beber e cozinhar na cidade de Gilbués/São Gonçalo do Gurguéia*, Diocese de Bom Jesus.

Para Fabiana Matheus, diretora de finanças da Fenae, “parcerias como esta, em benefício da comunidade é uma tradição do funcionalismo da CEF. A Associação de Pessoal de São Paulo e o Comitê Betinho construíram duas brinquedotecas na rede pública de saúde em São Paulo, em 2002 e 2003, e também editou 30 mil cartilhas em combate ao trabalho infantil”, lembra Fabiana.

“O Comitê investe nas cisternas, pois sua construção apresenta uma ótima relação custo benefício e possibilita que as pessoas bebam água limpa e saudável e que traz dignidade, afirma José Roberto Vieira Barboza, presidente do Comitê Betinho.

Para Hortência Mendes, Secretária Regional da Cáritas, o Comitê Betinho tem trabalhado de uma forma magnífica em todo o país na perspectiva de combate à fome. “Uma coisa boa é que o Comitê não ficou preso somente a isso. As pessoas que o fazem tem dado passos importantes nas questões solidárias quando vêem outras necessidades fundamentais das famílias mais empobrecidas como a falta de água”, relata.

Com a Fenae, a Cáritas desenvolveu no período de 2009 a 2010 atividades no âmbito da Economia Popular Solidária em Caraúbas, Diocese de Parnaíba. As atividades tiveram o objetivo de organizar associações e cooperativas para a produção e comercialização, apoiando grupos de horticultura, artesanato e beneficiamento de leite.

“Essa inter-relação entre as diversas entidades ajuda a fortalecer a ação solidária em todas as frentes, envolvendo as várias pessoas desde voluntárias a funcionárias públicas na ajuda àquelas que mais precisam” explica Hortência.

*Quando o projeto foi elaborado, São Gonçalo do Gurguéia era uma comunidade no município de Gilbués.

Mariana Gonçalves, com informações da Fenae e Comitê Betinho

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Criatividade das famílias ajuda a encher cisternas calçadão no Piauí

Na comunidade Capivara, 12 quilômetros da zona urbana do município de Massapê do Piauí, uma canalização diferente chama atenção das pessoas que passam pela porteira da casa de dona Teresinha Vita de Jesus. Essa canalização liga o telhado da casa da agricultora à sua cisterna calçadão construída através do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), através da Cáritas Brasileira Regional do Piauí.

Dona Teresinha conta que ganhou sua cisterna em 2008, mas com o inverno fraco e a chuva pouca nunca tinha visto sua cisterna encher. Foi quando seu filho, Sebastião José de Araújo – o Bastim -, viu a idéia do agricultor Luis Gonzaga Carvalho, o Luís da Apolônia, que é seu vizinho.

“Meu filho viu que ele tinha puxado uns canos do telhado para o ‘cisternão’ e a gente resolveu fazer também. Quando a cisterna pequena enche, a gente engata os canos do ‘cisternão’. Desde que a gente recebeu essa cisterna ainda não tinha visto ela encher, por causa do inverno fraco. Agora com a água que escorre do calçadão e das telhas ela enche e é rápido”, conta a agricultora.

Dona Maria das Mercês dos Santos Reis, esposa do seu Luis da Apolônia, conta que a invenção surgiu quando a família viu a cisterna pequena sangrando e a água da chuva indo embora. Até então seu Luis ainda não tinha visto ninguém fazendo igual. “Ele viu que o cano enchia a cisterna pequena e resolveu experimentar ligar o telhado, que é bem grande, no ‘cisternão’ também”.

Na casa do seu Luís da Apolônia e dona Mercês, uma parte do telhado enche a cisterna pequena e a outra parte ajuda a encher a cisterna grande. E ainda sobrou telhado sem calha. A intenção do casal é buscar uma forma de aproveitar essa parte também. “Ano passado só encheu por causa dos canos, pois a chuva foi fraquinha. Se a gente pudesse tinha outra cisterna dessa para colocar essa água que ainda vai embora, porque água aqui é difícil”.

A estiagem no Piauí ano passado foi uma das maiores da década. Na região de Picos, onde o município de Massapê fica localizado, as últimas chuvas de 2010 caíram no mês de maio. Em Caldeirão Grande, município vizinho a Massapê, dona Eliene Josefa moradora da comunidade Pau Ferro - na contagem pluviométrica que faz todos os anos -, chegou a registrar a precipitação de somente 376 mm de chuva durante todo o período. No semiárido Piauiense o nível anual médio de precipitação é de 700 mm.

Mariana Gonçalves - Comunicadora Popular ASA Brasil/ FPCSA/ Cáritas

terça-feira, 5 de abril de 2011

O livro "O Sonho Construído em Mutirão" agora versão online. Boa Leitura!

Para contar a história do sonho que foi construído coletivamente entre as famílias do município de Coronel José Dias, a Cáritas Brasileira Regional do Piauí organizou o livro “O Sonho Construído em Mutirão: uma experiência de convivência com o semiárido”. O livro conta toda a trajetória do projeto desde a idealização, diagnósticos, implantação e resultados concretos no município. Nele buscou-se retratar os impactos sociais, ambientais e culturais da experiência, mostrando as ações desenvolvidas, o caráter dessas ações, desafios e importância para a população da região que busca melhores condições de vida.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Piauienses elogiam série de desenhos da ASA Brasil

A série que foi feita por crianças da 4ª série mostra jeito divertido de conviver com o semiárido

Um cinema ao ar livre foi montado
para exibição dos vídeos

O Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido (FPCSA), representação estadual da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA Brasil), lançou na última quinta-feira (25) a série de desenhos animados “Água: vida e alegria no semiárido”. O evento, que aconteceu na sede da organização Obra Kolping Estadual do Piauí, em Teresina, contou com a participação das comissões municipais, agentes de campo, entidades que compõem o FPCSA e representantes do Conselho Fiscal da ASA, do Governo do Paiuí, além da deputada Flora Isabel.

Na cerimônia, foi apresentado aos participantes o Projeto Cisternas nas Escolas da ASA Brasil). A série de desenhos animados integra os produtos pedagógicos do Projeto. O educador popular Antonio “Bedeu”, da ONG Peixe que Ronca de Piracuruca (PI), apresentou o que é a série e como ela está sendo utilizada nos cursos de capacitação da ASA.

O educador explicou que a ASA tem mostrado que para assumir uma atitude de responsabilidade pela sua vida, a pessoa não precisa necessariamente ter muitos anos de estudo. O conhecimento adquirido na vida, no dia a dia, é valorizado pela ASA e tem feito a diferença nas comunidades rurais. Na escola, a ASA defende um projeto pedagógico que constrói o conhecimento através da observação e valorização da realidade dos alunos.

Segundo Carlos Humberto Campos, coordenador executivo do FPCSA, a série de desenhos animados é um instrumento pedagógico riquíssimo para trabalhar a convivência com o semiárido dentro das escolas. “Essa é uma série de desenhos que foi produzida de forma diferente, é uma série de criança para criança. Através da brincadeira é possível ensinar a conviver com a região”, diz.

Anadete Reis, integrante do Conselho Fiscal da ASA, elogiou a iniciativa lembrando que ao ver esses desenhos recorda de sua terra e sua infância. Os desenhos foram feitos por crianças da quarta série de Riachão do Jacuípe (BA) e a conselheira também é baiana. Ela ressaltou também a preocupação da ASA em dialogar com todas as idades nessa luta pela convivência.

Lúcia Araújo, diretora do Programa de Convivência com o Semiárido do Governo do Estado do Piauí, falou sobre a importância da parceria com o Unicef para consolidar as ações de convivência que devem iniciar bem cedo. “Construir cisternas nas escolas é uma discussão de longa data na Agência Nacional de Águas. A ASA está de parabéns pela implantação desse projeto que é uma forma de inserir a Educação Contextualizada de forma mais significativa dentro da Escola. O Governo do Estado também mostra uma preocupação grande com a região e estamos abertos para trabalharmos em conjunto com a sociedade civil”.

A deputada Flora Isabel também elogiou a iniciativa e colocou-se à disposição do FPCSA para pautar a luta pela convivência com o Semiárido no Legislativo. A deputada se comprometeu em pautar o semiárido piauiense e a luta da sociedade civil para a convivência digna com a região na Alepi.

Mariana Gonçalves e Paula Andréas - comunicadoras populares da ASA Brasil

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cáritas apresenta livro com trajetória do Projeto Fecundação

Em 1605, Miguel de Cervantes escrevia a seguinte frase no seu mais célebre livro Dom Quixote: “Sonho que se sonha sozinho é apenas um sonho. Sonho que se sonha junto é o começo da realidade”. A frase pode até ter sido escrita a centenas de anos, mas nunca foi tão atual na realidade das famílias beneficiadas pelo Projeto Fecundação em
Coronel José Dias.

Para contar a história desse sonho que foi construído coletivamente entre as famílias do município, a Cáritas Brasileira Regional do Piauí organizou o livro “O Sonho Construído em Mutirão: uma experiência de convivência com o semiárido”. O livro conta toda a trajetória do projeto desde a idealização, diagnósticos, implantação e resultados concretos no município.

Nele buscou-se retratar os impactos sociais, ambientais e culturais da experiência, mostrando as ações desenvolvidas, o caráter dessas ações, desafios e importância para a população da região que busca melhores condições de vida.

Para apresentar essa experiência para a sociedade a Cáritas realizou na manhã da ultima sexta-feira (25) um café da manhã de lançamento do livro. Participaram do evento comunidades, Cáritas Diocesanas, Diretoria Nacional da Cáritas Brasileira, Pastorais Sociais, Secretaria Municipal de Educação de Coronel José Dias, Delegacia Regional do Trabalho, Banco do Nordeste, Governo do Estado, Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, Assembléia Legislativa do Piauí.

João Evangelista Oliveira e Rosângela Ribeiro de Carvalho
organizadores do livro

Agente da Cáritas desde 1996, Iran Morais contou como foi o início do projeto. Segundo ele, quando se começou a falar em convivência com a região o projeto ainda se chamava ‘El Niño’ e a partir da Carta de São Raimundo Nonato que se começou a planejar ações mais consistentes na região. “O Projeto Fecundação foi uma construção principalmente coletiva, no sentimento de que não se faz nada sozinho. A alegria é saber que a partir desse projeto foram fecundados outros como o ‘Vida e Dignidade no Sertão do Piauí’ que ajudou a formar técnicos agrícolas”. O agente conta ainda que o projeto provocou profundas transformações em Coronel José dias. “O município foi todo coberto com cisternas e possibilitou o envolvimento de todos em mutirão, na partilha e na solidariedade”, completou Iran.

A vice-presidente da Cáritas Brasileira, Anadete Reis, contou a trajetória das discussões em todo o Brasil para a consolidação do Programa de Convivência com o Semiárido no país. “Diante da realidade de abandono da região, a Cáritas começou a discutir ações mais eficientes. O primeiro desafio foi captar recursos e depois onde colocar a experiência. Foram várias as discussões até chegar ao Piauí, em comum acordo com os outros estados. Essa mesma discussão foi feita em nível local até chegar a Coronel José dias”. Ela ressaltou que o Projeto Fecundação nos mostra concretamente a forma de trabalhar da Cáritas a partir da construção coletiva com parcerias e também que é possível ter uma intervenção concreta na área da Educação para a melhoria de vida das pessoas.

Intervenção que foi ratificada por Filomena Neiva, representante da SEMEC de Coronel José Dias, que falou da importância das ações no modo de ensinar das escolas da rede pública. “Esse projeto deu subsídio para que nossos professores conhecessem melhor o que realmente é o Semiárido e suas possibilidades. Foram ministradas nove oficinas pedagógicas, mas nossa maior conquista foi o Plano Municipal de Educação que foi construído a partir da nossa realidade e com contribuição coletiva”, afirma Filomena.

Lúcia Araújo, representante do Governo do Estado, também fez parte da gestação do projeto e lembrou dos desafios iniciais. Ela ressaltou a importância das parcerias locais para concretização das experiências e colocou-se a disposição para estudar novas parcerias com o governo para o beneficiamento de mais famílias. A deputada Rejane Dias, representante da Assembléia Legislativa, também se colocou à disposição para implementar políticas públicas para o semiárido, a fim de levar transformações reais à região a partir do coletivo.

A secretária regional da Cáritas Brasileira, Hortência Mendes, encerrou o momento agradecendo a presença de todos/as comunidades e parcerias, ressaltando a união na construção de um novo modelo de solidariedade. “Devemos cultivar esse sentimento de solidariedade. Por mais problemas que a sociedade apresente não nos impede de trilhar novos caminhos porque Deus está conosco guiando nossos passos”, finalizou.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Livro sobre a história do Projeto Fecundação será lançado nesta sexta (25)

Diversas experiências coletivas tem se multiplicado em todo o Estado na busca de melhores condições de vida para as famílias excluídas, principalmente no ambiente Semiárido, cujas condições climáticas, à primeira vista, parecem adversas. O Projeto Fecundação, uma ação pioneira da Cáritas Brasileira implantada a partir de 2001, veio contribuir com as famílias e comunidades empobrecidas do semiárido através do acesso à água de qualidade e em quantidade suficiente para o consumo humano. Além do desenvolvimento de conhecimentos e apropriação de saberes habilidades e técnicas da agropecuária apropriada para a convivência sustentável com a Caatinga, bioma predominante na região.

Para contar a história de como esse projeto começou no Piauí, a Cáritas Brasileira Regional do Piauí apresentará na próxima sexta-feira (25), às 9h no Centro Pastoral Paulo VI, o livro “O Sonho Construído em Mutirão: uma experiência de convivência com o semiárido”. O livro descreve toda a trajetória do projeto, desde sua idealização, passando por diagnósticos e resultados concretos no município de Coronel José Dias, local de implantação do projeto-piloto.

Através do olhar da Cáritas sob a trajetória desenvolvida pelo projeto, buscou-se retratar os impactos sociais, ambientais e culturais desta experiência, mostrando as ações desenvolvidas, o caráter dessas ações, os desafios que elas nos apresentam e sua importância para o povo da região na busca da melhoria das condições de vida e garantia geração de renda.

O trabalho foi fincado em quatro eixos de ação: Gestão, Recursos Hídricos, Produção Agropecuária Apropriada e Educação Contextualizada. Com destaque para esta ultima que buscou levar o tema “Convivência com o Semiárido” para a sala de aula das escolas municipais. Foram realizadas 09 (nove) oficinas pedagógicas com os professores da rede pública municipal. Essas oficinas culminaram com a elaboração do Plano Municipal de Educação de Coronel José Dias, plano este com bases nas potencialidades e possibilidades locais.

Resultados concretos do Projeto Fecundação

Recuperação do Barreiro Grande
01 Barragem Subterrânea
Limpeza de 02 Barreiros
40 famílias Capacitadas em Gestão de Recursos Hídricos
30 pedreiros capacitados em construção de cisternas
700 cisternas construídas
Marcação de 03 poços (hidroestesia)
Seminário Gestão de Recursos Hídricos
Limpeza do açude Salininha
Levantamento de poços para instalação de BAP’s
Cursos de técnicas de fenação, apicultura e ovinocaprinocultura
Curso de sanidade animal
Aquisição de 426 animais para a melhoria do rebanho
Aquisição de 82 toneladas de silagem
Casa de mel de Curral de Ramos
Curso de qualidade e higiene do mel
Aquisição de animais e material dos apriscos do grupo Barra do Campestre
03 grupos de criadores de caprinos e ovinos
02 grupos de apicultores
Inserção de sementes forrageiras na agricultura – 90 famílias
Otimização das culturas de caju e umbu com compra de mudas
Curso de técnicas em fruticultura – 20 famílias
Curso de manejo do solo e tecnologias apropriadas
Plantação de 33,74 hectares de caju
Curso de técnicas, gestão e comercialização de artesanato – 20 famílias
Oficina de produção de cajuína
Criação de Cooperativa de beneficiamento de frutas
Curso de fabricação de bombons de chocolate com recheio de umbu
09 oficinas pedagógicas de Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido
Plano Municipal de Educação de Coronel José Dias norteado pela Educação Contextualizada

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ASA Piauí avalia projeto Cisternas nas Escolas

“Pobreza, miséria, analfabetismo, doenças e baixa expectativa de vida. Essa é a realidade do Semiárido, propagada e consolidada no imaginário social. Não é resultado de calamidade originada no clima e na manifestação do fenômeno da seca, é uma construção humana, passível, portanto de ser revertida”. Foi com essas palavras que o coordenador executivo do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, Carlos Humberto Campos, iniciou o Encontro de Avaliação do Projeto Cisternas nas Escolas.

O encontro aconteceu nos dias 17 e 18 de fevereiro no Picos Hotel, em Picos (PI) e reuniu comissões municipais, secretários/as municipais de educação, zeladores, professores e equipes que executam o projeto. O evento teve o objetivo de avaliar os processos de mobilização da comunidade escolar em torno da construção das cisternas e como ela poderá servir como instrumento pedagógico para políticas de convivência com a região semiárida piauiense.

A tecnologia social, que acumula água da chuva para suprir as necessidades de consumo humano que já atendeu a mais de 300 mil famílias, foi estendida para escolas rurais de nove estados do Semiárido brasileiro. Nas unidades de ensino, os reservatórios tiveram sua capacidade ampliada para 52 mil litros. O projeto Cisternas nas Escolas, uma iniciativa da Articulação no Semi-árido Brasileiro (ASA Brasil), construiu 843 reservatórios em escolas da zona rural. Destas, 55 foram destinadas a municípios piauienses.

Os municípios contemplados com o projeto foram: Acauã, Capitão Gervásio Oliveira, Coronel José Dias, Inhuma, Ipiranga do Piauí, Jacobina do Piauí, Jurema, Oeiras, Pedro II, Picos, Piracuruca, Queimada Nova, São José do Divino, São Raimundo Nonato.

A água da cisterna escolar será utilizada para o consumo de crianças, professores e funcionários de escolas, pois no Semiárido, é comum muitas escolas pararem de funcionar por causa da falta de água. Na lógica do projeto, os professores e alunos são chamados a acompanhar o processo da implantação e a zelar pelo bom uso das cisternas e, além disso, a trabalhar a educação contextualizada a partir das cisternas. Deste modo, todas as disciplinas podem ser trabalhadas a partir do tema ‘Água e Cisternas’ e, assim, o debate sobre a convivência com o Semiárido entra na escola.

Segundo o Secretário Municipal de Educação de Acauã, José Edivaldo, o município tem sofrido bastante com a falta de água, que é escassa nos meses mais quentes do ano. “Muitas vezes temos que nos deslocar ao município de Afrânio (PE) para buscar água potável. Essas cisternas vieram para melhorar a vida das pessoas. Primeiro para as famílias, e agora para a comunidade escolar”. O professor salientou ainda a importância da parceria estabelecida entre a ASA e a prefeitura como uma motivação para os gestores pensarem mais no social.

Os participantes avaliaram o projeto como essencial para a garantia dos alunos em sala de aula o ano todo, mas sugeriram algumas mudanças. A proposta das pessoas que participaram do encontro é que o projeto também seja ampliado para a produção de alimentos, a fim de complementar a formação dos alunos em agroecologia e segurança alimentar. Uma forma de ampliar o debate sobre a Convivência com a região dentro da sala de aula.

O projeto é realizado pela ASA Brasil em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), a Agência de Cooperação Espanhola e o Instituto Ambiental Brasil Sustentável (IABS) e apoio do Unicef.

Educação a partir do contexto local

Ao longo de vários anos foi construída a imagem de que o semiárido é lugar de morte. E um dos responsáveis por essa visão por muitos anos, foi a escola que acabou reforçando essa idéia. Entretanto, muitas escolas tem adotado a educação contextualizada para modificar essa realidade indo na contramão da história. “A partir da Educação Contextualizada a escola começou a se inserir na realidade onde atua e tem ajudado as crianças e seus pais a conhecer melhor suas realidades e, principalmente, a construir conhecimento para mudar a realidade de injustiça em que se vive”, salienta Carlos Humberto.

Para isso muitas iniciativas estão sendo construídas em diversos municípios do semiárido para a concretização desse modelo de educação. Segundo Zumira Netinha, professora da Unidade Escolar Boca da Serra em Jurema, uma realidade do município é a graduação e especialização dos professores. “Hoje podemos dizer que em Jurema professores e professoras da rede pública na sua maioria são graduados e especializados para lecionarem em Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). E isso diminuiu a evasão escolar e a migração, pois muitos alunos tem desistido de ir para outros lugares tentar a vida e ficar na sua terra”. Para a professora, através das especializações os professores conseguem visualizar e repassar perspectivas de vida para os alunos dentro da realidade em que se vive.

Mariana Gonçalves - comunicadora popular FPCSA/ ASA Brasil/Cáritas