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terça-feira, 24 de maio de 2011

Vítimas do rompimento da Barragem Algodões I realizam manifestação e reivindicam direitos

Mobilização das vítimas do rompimento da Barragem Algodões I no dia 28 de abril

A tragédia do rompimento da Barragem Algodões I completa dois anos no próximo dia 27 e para reivindicar seus direitos, as vítimas da tragédia reúnem-se nesta quinta-feira, 26, às 8h, na Praça Francisca Trindade, no centro de Teresina. Cerca de 300 pessoas devem participar da manifestação. Após a concentração, as famílias seguem para o Palácio de Karnak, onde participam, às 9h, de uma audiência com o governador Wilson Martins. Em seguida, caminham em direção ao Tribunal de Justiça para outra audiência.

A mobilização é uma iniciativa da Associação das Vítimas do Rompimento da Barragem Algodões I - AVABA, com o apoio da Cáritas Brasileira Regional do Piauí, que reivindica a garantia plena dos direitos, como indenizações e moradias, e o apoio necessário para a reconstrução dos meios de vida e dignidade das famílias. Elas não são contra a reconstrução da barragem e querem o funcionamento dela, mas isso deve ser feito dentro dos parâmetros legais e sem risco para as pessoas.

A situação das famílias

As famílias vítimas da tragédia ganharam na justiça o direito de receber uma pensão até que saia a indenização de seus prejuízos, mas foi suspensa pelo Governo do Estado e quando foi restabelecida, os aposentados e os beneficiários do Bolsa Família perderam o benefício da pensão, um direito de todas as pessoas atingidas.

Barragem Algodões I após o rompimento

As vítimas reclamam a construção de casas sem considerar as necessidades, a tradição agropastoril das famílias atingidas, além de estarem sem trabalho, não podem criar seus animais (aves, suínos, ovinos e caprinos), não podem produzir seus alimentos e, por isso, encontram-se numa situação de miséria. As famílias criticam ainda a falta de estrutura dos assentamentos agrícolas construídos para abrigar as vítimas e a falta de atenção às pessoas que perderam parentes, pois elas não receberam nenhuma atenção especial do Estado.

A realidade das famílias em Buriti dos Lopes também é preocupante, pois as Agrovilas construídas pela Defesa Civil não tem energia elétrica e nem água, além de estarem distantes dos locais de trabalho das famílias, inviabilizando a ocupação das mesmas. Também existem famílias morando de favor em locais precários, principalmente mães com bebês, alojadas em abrigos como o Colégio Agrícola do município. As mesmas já estão com prazo determinado para se retirarem.

Apoio às vítimas

A Cáritas Brasileira Regional do Piauí vem apoiando as famílias, desde o período da tragédia com o projeto de Emergências que arrecadou alimentos, produtos de limpeza e kits de dormir (colchões, colchonetes, cobertores e lençóis), além de ajuda na reconstrução das casas e assistência jurídica e psicológica. A entidade apóia a mobilização e chama a atenção da sociedade piauiense para a luta das famílias atingidas pela Barragem Algodões I, pois é necessária uma ação conjunta entre sociedade civil, governos - municipal, estadual e federal - para solucionar as problemáticas causadas pelo desastre da barragem.

terça-feira, 5 de abril de 2011

O livro "O Sonho Construído em Mutirão" agora versão online. Boa Leitura!

Para contar a história do sonho que foi construído coletivamente entre as famílias do município de Coronel José Dias, a Cáritas Brasileira Regional do Piauí organizou o livro “O Sonho Construído em Mutirão: uma experiência de convivência com o semiárido”. O livro conta toda a trajetória do projeto desde a idealização, diagnósticos, implantação e resultados concretos no município. Nele buscou-se retratar os impactos sociais, ambientais e culturais da experiência, mostrando as ações desenvolvidas, o caráter dessas ações, desafios e importância para a população da região que busca melhores condições de vida.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cáritas apresenta livro com trajetória do Projeto Fecundação

Em 1605, Miguel de Cervantes escrevia a seguinte frase no seu mais célebre livro Dom Quixote: “Sonho que se sonha sozinho é apenas um sonho. Sonho que se sonha junto é o começo da realidade”. A frase pode até ter sido escrita a centenas de anos, mas nunca foi tão atual na realidade das famílias beneficiadas pelo Projeto Fecundação em
Coronel José Dias.

Para contar a história desse sonho que foi construído coletivamente entre as famílias do município, a Cáritas Brasileira Regional do Piauí organizou o livro “O Sonho Construído em Mutirão: uma experiência de convivência com o semiárido”. O livro conta toda a trajetória do projeto desde a idealização, diagnósticos, implantação e resultados concretos no município.

Nele buscou-se retratar os impactos sociais, ambientais e culturais da experiência, mostrando as ações desenvolvidas, o caráter dessas ações, desafios e importância para a população da região que busca melhores condições de vida.

Para apresentar essa experiência para a sociedade a Cáritas realizou na manhã da ultima sexta-feira (25) um café da manhã de lançamento do livro. Participaram do evento comunidades, Cáritas Diocesanas, Diretoria Nacional da Cáritas Brasileira, Pastorais Sociais, Secretaria Municipal de Educação de Coronel José Dias, Delegacia Regional do Trabalho, Banco do Nordeste, Governo do Estado, Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, Assembléia Legislativa do Piauí.

João Evangelista Oliveira e Rosângela Ribeiro de Carvalho
organizadores do livro

Agente da Cáritas desde 1996, Iran Morais contou como foi o início do projeto. Segundo ele, quando se começou a falar em convivência com a região o projeto ainda se chamava ‘El Niño’ e a partir da Carta de São Raimundo Nonato que se começou a planejar ações mais consistentes na região. “O Projeto Fecundação foi uma construção principalmente coletiva, no sentimento de que não se faz nada sozinho. A alegria é saber que a partir desse projeto foram fecundados outros como o ‘Vida e Dignidade no Sertão do Piauí’ que ajudou a formar técnicos agrícolas”. O agente conta ainda que o projeto provocou profundas transformações em Coronel José dias. “O município foi todo coberto com cisternas e possibilitou o envolvimento de todos em mutirão, na partilha e na solidariedade”, completou Iran.

A vice-presidente da Cáritas Brasileira, Anadete Reis, contou a trajetória das discussões em todo o Brasil para a consolidação do Programa de Convivência com o Semiárido no país. “Diante da realidade de abandono da região, a Cáritas começou a discutir ações mais eficientes. O primeiro desafio foi captar recursos e depois onde colocar a experiência. Foram várias as discussões até chegar ao Piauí, em comum acordo com os outros estados. Essa mesma discussão foi feita em nível local até chegar a Coronel José dias”. Ela ressaltou que o Projeto Fecundação nos mostra concretamente a forma de trabalhar da Cáritas a partir da construção coletiva com parcerias e também que é possível ter uma intervenção concreta na área da Educação para a melhoria de vida das pessoas.

Intervenção que foi ratificada por Filomena Neiva, representante da SEMEC de Coronel José Dias, que falou da importância das ações no modo de ensinar das escolas da rede pública. “Esse projeto deu subsídio para que nossos professores conhecessem melhor o que realmente é o Semiárido e suas possibilidades. Foram ministradas nove oficinas pedagógicas, mas nossa maior conquista foi o Plano Municipal de Educação que foi construído a partir da nossa realidade e com contribuição coletiva”, afirma Filomena.

Lúcia Araújo, representante do Governo do Estado, também fez parte da gestação do projeto e lembrou dos desafios iniciais. Ela ressaltou a importância das parcerias locais para concretização das experiências e colocou-se a disposição para estudar novas parcerias com o governo para o beneficiamento de mais famílias. A deputada Rejane Dias, representante da Assembléia Legislativa, também se colocou à disposição para implementar políticas públicas para o semiárido, a fim de levar transformações reais à região a partir do coletivo.

A secretária regional da Cáritas Brasileira, Hortência Mendes, encerrou o momento agradecendo a presença de todos/as comunidades e parcerias, ressaltando a união na construção de um novo modelo de solidariedade. “Devemos cultivar esse sentimento de solidariedade. Por mais problemas que a sociedade apresente não nos impede de trilhar novos caminhos porque Deus está conosco guiando nossos passos”, finalizou.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ASA Piauí avalia projeto Cisternas nas Escolas

“Pobreza, miséria, analfabetismo, doenças e baixa expectativa de vida. Essa é a realidade do Semiárido, propagada e consolidada no imaginário social. Não é resultado de calamidade originada no clima e na manifestação do fenômeno da seca, é uma construção humana, passível, portanto de ser revertida”. Foi com essas palavras que o coordenador executivo do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, Carlos Humberto Campos, iniciou o Encontro de Avaliação do Projeto Cisternas nas Escolas.

O encontro aconteceu nos dias 17 e 18 de fevereiro no Picos Hotel, em Picos (PI) e reuniu comissões municipais, secretários/as municipais de educação, zeladores, professores e equipes que executam o projeto. O evento teve o objetivo de avaliar os processos de mobilização da comunidade escolar em torno da construção das cisternas e como ela poderá servir como instrumento pedagógico para políticas de convivência com a região semiárida piauiense.

A tecnologia social, que acumula água da chuva para suprir as necessidades de consumo humano que já atendeu a mais de 300 mil famílias, foi estendida para escolas rurais de nove estados do Semiárido brasileiro. Nas unidades de ensino, os reservatórios tiveram sua capacidade ampliada para 52 mil litros. O projeto Cisternas nas Escolas, uma iniciativa da Articulação no Semi-árido Brasileiro (ASA Brasil), construiu 843 reservatórios em escolas da zona rural. Destas, 55 foram destinadas a municípios piauienses.

Os municípios contemplados com o projeto foram: Acauã, Capitão Gervásio Oliveira, Coronel José Dias, Inhuma, Ipiranga do Piauí, Jacobina do Piauí, Jurema, Oeiras, Pedro II, Picos, Piracuruca, Queimada Nova, São José do Divino, São Raimundo Nonato.

A água da cisterna escolar será utilizada para o consumo de crianças, professores e funcionários de escolas, pois no Semiárido, é comum muitas escolas pararem de funcionar por causa da falta de água. Na lógica do projeto, os professores e alunos são chamados a acompanhar o processo da implantação e a zelar pelo bom uso das cisternas e, além disso, a trabalhar a educação contextualizada a partir das cisternas. Deste modo, todas as disciplinas podem ser trabalhadas a partir do tema ‘Água e Cisternas’ e, assim, o debate sobre a convivência com o Semiárido entra na escola.

Segundo o Secretário Municipal de Educação de Acauã, José Edivaldo, o município tem sofrido bastante com a falta de água, que é escassa nos meses mais quentes do ano. “Muitas vezes temos que nos deslocar ao município de Afrânio (PE) para buscar água potável. Essas cisternas vieram para melhorar a vida das pessoas. Primeiro para as famílias, e agora para a comunidade escolar”. O professor salientou ainda a importância da parceria estabelecida entre a ASA e a prefeitura como uma motivação para os gestores pensarem mais no social.

Os participantes avaliaram o projeto como essencial para a garantia dos alunos em sala de aula o ano todo, mas sugeriram algumas mudanças. A proposta das pessoas que participaram do encontro é que o projeto também seja ampliado para a produção de alimentos, a fim de complementar a formação dos alunos em agroecologia e segurança alimentar. Uma forma de ampliar o debate sobre a Convivência com a região dentro da sala de aula.

O projeto é realizado pela ASA Brasil em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), a Agência de Cooperação Espanhola e o Instituto Ambiental Brasil Sustentável (IABS) e apoio do Unicef.

Educação a partir do contexto local

Ao longo de vários anos foi construída a imagem de que o semiárido é lugar de morte. E um dos responsáveis por essa visão por muitos anos, foi a escola que acabou reforçando essa idéia. Entretanto, muitas escolas tem adotado a educação contextualizada para modificar essa realidade indo na contramão da história. “A partir da Educação Contextualizada a escola começou a se inserir na realidade onde atua e tem ajudado as crianças e seus pais a conhecer melhor suas realidades e, principalmente, a construir conhecimento para mudar a realidade de injustiça em que se vive”, salienta Carlos Humberto.

Para isso muitas iniciativas estão sendo construídas em diversos municípios do semiárido para a concretização desse modelo de educação. Segundo Zumira Netinha, professora da Unidade Escolar Boca da Serra em Jurema, uma realidade do município é a graduação e especialização dos professores. “Hoje podemos dizer que em Jurema professores e professoras da rede pública na sua maioria são graduados e especializados para lecionarem em Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). E isso diminuiu a evasão escolar e a migração, pois muitos alunos tem desistido de ir para outros lugares tentar a vida e ficar na sua terra”. Para a professora, através das especializações os professores conseguem visualizar e repassar perspectivas de vida para os alunos dentro da realidade em que se vive.

Mariana Gonçalves - comunicadora popular FPCSA/ ASA Brasil/Cáritas