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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tudo pronto para o IV Congresso Regional

Será realizado nos dias 15 e 16 de julho, a partir das 8h no Centro Guadalupe em Teresina, o IV Congresso Regional da Cáritas do Piauí. O evento se configura como um espaço de formação, troca de experiências e avaliação das ações da entidade no estado. A metodologia de trabalho desenvolvida será na perspectiva de uma pedagogia libertadora, construindo em mutirão o processo avaliativo através de quatro pontos: Ver, Julgar, Agir, Celebrar e Avaliar. O Congresso Regional é, principalmente, um momento de preparação para o IV Congresso Nacional da Cáritas Brasileira que acontecerá em novembro, em Passo Fundo (RS).

Como preparação para o Congresso Regional, foram realizados os encontros interdiocesanos, nos quais foram apresentadas as avaliações diocesanas sobre a atuação da Cáritas, experiências desenvolvidas a partir da perspectiva de Desenvolvimento Solidário Sustentável e Territorial (DSS-T). As Cáritas Diocesanas apontaram também sugestões para temas prioritários e ações principais para o próximo quadriênio. Essas discussões reaparecerão no congresso para definir a proposta do Piauí no Congresso Nacional.

“Queremos que esse momento seja também festivo e alegre para reanimar nossas forças e provocar em todas e todos nós energias positivas e benéficas para a construção do Novo. De novas relações, de novas formas de ver o mundo e o Planeta, de novas lutas, de novos paradigmas. Sempre com base nas Boas novas do Evangelho de Jesus Cristo”, afirma a Secretaria Regional da Cáritas do Piauí, Hortência Mendes.

Animação do Voluntariado

Para finalizar o congresso prestigiando o voluntariado que tem dado cor alegre e diferente às ações da Cáritas, será realizado um momento festivo e de animação dessa ação no Congresso. O Encontro de Voluntariado da Rede Cáritas no Piauí acontecerá no sábado, dia 16, a partir das 15h.

Durante o evento será discutido o que é voluntariado, o papel do voluntariado na sociedade atual, como agir como voluntário/a na Rede Cáritas. Serão também apresentadas ações que são desenvolvidas através do voluntariado e homenagens a voluntários/as que fizeram e fazem a diferença nessa rede de solidariedade.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Famílias agricultoras do Piauí conhecem experiências de convivência em PE

Durante os dias 24 e 25 de junho, 12 agricultores/as familiares do município de Monsenhor Hipólito (PI), visitaram experiências em agricultura agorecológica nos municípios de Araripina, Ipubi, Exu e Ouricuri, região do Araripe pernambucano. Nas visitas, os agricultores e agricultoras puderam conhecer um modo de produção que respeita o meio ambiente, as práticas alternativas ao uso de agrotóxicos, o manejo de sistema agroflorestal, o beneficiamento de frutas, e também sobre organização comunitária.

Todos os agricultores que participaram das visitas foram beneficiados com a cisterna calçadão, uma das tecnologias do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), através da Cáritas Brasileira Regional do Piauí. Os reservatórios acumulam até 52 mil litros de água, que é destinada à produção de alimentos, a fim de garantir a segurança alimentar e nutricional das famílias agricultoras. Nas localidades visitadas foi possível perceber a forma como os/as agricultores/as de Pernambuco fazem o manejo da água da cistern
a para o melhor aproveitamento na produção.

No primeiro dia (24/06), no município de Exu, o grupo visitou a experiência de agricultura agroflorestal do casal de agricultores Vilmar Lermen e Maria Silvanete, que moram na comunidade da Serra dos Paus Dóias. A família utiliza o sistema de cultivo agroflorestal, que, em seu manejo, mistura plantas anuais, forrageiras, frutíferas, adubadoras e nativas. Nesse tipo de cultivo não se utiliza fogo, venenos ou adubos químicos.

“Agrofloresta é uma mistura de plantas e experimentos que criam uma relação entre si. O controle das formigas, por exemplo, é feito utilizando a manipueira da mandioca, as plantas iscas ou as repelentes”, explica Vilmar. A família ainda utiliza a borra da manipueira, riquíssima em cálcio, para adubar o solo, e, principalmente para o plantio de melancia, tomate e maracujá.

Seu Heleno explica como faz a produção de mudas de alface.
Foto: Mariana Gonçalves

Já o agricultor Heleno Nascimento, que mora no Sítio Samambaia, em Araripina, também foi visitado, e tem uma receita diferente para tratar das pragas: uma solução feita à base do Nim (Azadirachta indica). Ele contou que nos seus canteiros de hortaliças só utiliza defensivos naturais, além de priorizar a rotação de culturas. “Toda vez que se retira a produção de alface, por exemplo, se coloca outro tipo de hortaliça no local, para não desgastar o solo, e produzir sempre com a mesma qualidade”, ensina Seu Heleno.

Boa gestão da água - No segundo dia (25/06), os participantes do intercâmbio visitaram a experiência da família de Maria Viana, na comunidade do Vidéu Velho, município de Ouricuri. Na ocasião, os agricultores e agricultoras puderam aprender sobre o gerenciamento da água da cisterna calçadão que é feito pela família. “Nós fazemos o cálculo da quantidade de água que pode ser utilizada por dia, de modo que dure até o final do ano, período em que volta a chover na região”, conta Maria Viana. Segundo ela, os cálculos mostraram que a família só poderá começar a usar a água do reservatório em setembro; enquanto isso, a família utiliza a água de um barreiro próximo para produzir alimentos. Ela explicou ao grupo que no período de estiagem é muito importante ter a água da cisterna, pois o barreiro seca também.

A agricultora contou aos visitantes que antes da construção da cisterna de placas (16 mil litros), construída pelo Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), da ASA, e também da cisterna calçadão, a vida era muito difícil. “A gente não tinha reservatório nenhum, nem carroça, tinha que ir de carro de boi buscar água nas cacimbas, e às vezes as latas derramavam no meio do caminho, e a gente voltava novamente. Quando a gente chegava em casa não tinha onde armazenar a água, era um sofrimento”, conta Dona Maria Viana.

Segundo o agricultor José de Ribamar, da Chapada do Sítio em Monsenhor Hipólito, as experiências vivenciadas no intercâmbio deixaram os visitantes cheios de vontade para produzir alimentos. “Aqui a gente viu que dá certo, é só experimentar sem ter medo. É uma oportunidade não só de conhecer o que as outras famílias estão produzindo, mas também de trocar conhecimento, ensinar o que a gente sabe e ver o que eles fazem para melhorar de vida”, avalia o agricultor.


Mariana Gonçalves e Mariana Landim - comunicadoras populares da ASA

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A cultura histórica de resistência no semiárido


Vídeo-aula do assessor técnico da Cáritas Brasileira Regional do Piauí, Carlos Humberto Campos, para o Curso de Formação em Gestão Pública, Acesso à Água e Convivência com o Semiárido da RedeSAN - Rede Integrada de Segurança Alimentar e Nutricional.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Cáritas participa de manifestação em combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes em Picos

A Cáritas Diocesana de Picos participou na manhã desta quarta-feira, dia 18 de maio, da caminhada e panfletagem alusivas ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

A caminhada teve início na Praça Josino Ferreira em Direção à Praça Félix Pacheco, e contou com a participação dos Jovens que integram o Projeto Adolescendo, localizado no Bairro Morada do Sol. Este projeto é uma iniciativa da Cáritas Regional e Diocesana e trabalha com a prevenção da gravidez na adolescência.

Desde sábado, dia 14, os jovens do Bairro Morada do Sol participam de atividades voltadas para o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, como um momento de divulgação entre as próprias famílias e uma palestra educativa, que ocorreu no Salão Paroquial da Igreja São José Operário.

Para Alan Henrique, que tem 16 anos e integra o Adolescendo, é muito importante participar de uma atividade com esta, tendo em vista as crianças do Bairro Morada do Sol que sofrem com a exploração sexual sem que a sociedade tenha conhecimento. "Estamos aqui batalhando para que a sociedade possa se reunir e combater, acabar com esse abuso que acontece na nossa comunidade", afirma.

De acordo com Alcebíades Araújo, Presidente do Conselho Tutelar em Picos, só nos primeiros meses deste ano já foram registrados 18 casos de crianças e adolescentes vítimas de abuso, sendo 09 registros ocorridos no mês de abril. E mesmo com esse número de ocorrências, apenas uma agressora foi presa, os demais casos estão correndo inquérito na Polícia Civil e alguns já foram enviados ao judiciário.

"À medida que a população for tomando consciência, tendo segurança que as autoridades vão tomar as providências, acredito que este número tenda a aumentar cada vez mais, já que 18 casos não são números reais, apenas os que chegam à tona", acrescenta o presidente do conselho.

A manifestação contou ainda com a presença de alunos da rede municipal de ensino, estudantes de Serviço Social, profissionais do CREAS, CRAS, que são Centros de Referência para Assistência Social e Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes.

Para denunciar abusos ou exploração sexual às crianças e adolescentes basta ligar para o Disque 100, telefone nacional que após receber a denúncia aciona o Ministério Público da comarca, entrar em contato com o Conselho Tutelar do município ou ainda a Polícia Militar através do Disque 190.


Lana Krisna - Cáritas Diocesana de Picos/ Pascom

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Criatividade das famílias ajuda a encher cisternas calçadão no Piauí

Na comunidade Capivara, 12 quilômetros da zona urbana do município de Massapê do Piauí, uma canalização diferente chama atenção das pessoas que passam pela porteira da casa de dona Teresinha Vita de Jesus. Essa canalização liga o telhado da casa da agricultora à sua cisterna calçadão construída através do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), através da Cáritas Brasileira Regional do Piauí.

Dona Teresinha conta que ganhou sua cisterna em 2008, mas com o inverno fraco e a chuva pouca nunca tinha visto sua cisterna encher. Foi quando seu filho, Sebastião José de Araújo – o Bastim -, viu a idéia do agricultor Luis Gonzaga Carvalho, o Luís da Apolônia, que é seu vizinho.

“Meu filho viu que ele tinha puxado uns canos do telhado para o ‘cisternão’ e a gente resolveu fazer também. Quando a cisterna pequena enche, a gente engata os canos do ‘cisternão’. Desde que a gente recebeu essa cisterna ainda não tinha visto ela encher, por causa do inverno fraco. Agora com a água que escorre do calçadão e das telhas ela enche e é rápido”, conta a agricultora.

Dona Maria das Mercês dos Santos Reis, esposa do seu Luis da Apolônia, conta que a invenção surgiu quando a família viu a cisterna pequena sangrando e a água da chuva indo embora. Até então seu Luis ainda não tinha visto ninguém fazendo igual. “Ele viu que o cano enchia a cisterna pequena e resolveu experimentar ligar o telhado, que é bem grande, no ‘cisternão’ também”.

Na casa do seu Luís da Apolônia e dona Mercês, uma parte do telhado enche a cisterna pequena e a outra parte ajuda a encher a cisterna grande. E ainda sobrou telhado sem calha. A intenção do casal é buscar uma forma de aproveitar essa parte também. “Ano passado só encheu por causa dos canos, pois a chuva foi fraquinha. Se a gente pudesse tinha outra cisterna dessa para colocar essa água que ainda vai embora, porque água aqui é difícil”.

A estiagem no Piauí ano passado foi uma das maiores da década. Na região de Picos, onde o município de Massapê fica localizado, as últimas chuvas de 2010 caíram no mês de maio. Em Caldeirão Grande, município vizinho a Massapê, dona Eliene Josefa moradora da comunidade Pau Ferro - na contagem pluviométrica que faz todos os anos -, chegou a registrar a precipitação de somente 376 mm de chuva durante todo o período. No semiárido Piauiense o nível anual médio de precipitação é de 700 mm.

Mariana Gonçalves - Comunicadora Popular ASA Brasil/ FPCSA/ Cáritas

terça-feira, 5 de abril de 2011

O livro "O Sonho Construído em Mutirão" agora versão online. Boa Leitura!

Para contar a história do sonho que foi construído coletivamente entre as famílias do município de Coronel José Dias, a Cáritas Brasileira Regional do Piauí organizou o livro “O Sonho Construído em Mutirão: uma experiência de convivência com o semiárido”. O livro conta toda a trajetória do projeto desde a idealização, diagnósticos, implantação e resultados concretos no município. Nele buscou-se retratar os impactos sociais, ambientais e culturais da experiência, mostrando as ações desenvolvidas, o caráter dessas ações, desafios e importância para a população da região que busca melhores condições de vida.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Barragem Subterrânea muda a vida e alimentação da família Ferreira

Logo quando se chega na comunidade Pau Ferro, no município de Caldeirão Grande do Piauí, imensos calçadões dão as boas vindas para as pessoas visitantes. Junto deles, reservatórios de 52 mil litros servem para armazenar a água captada durante o período chuvoso e que servirão para a produção de alimentos para as famílias.

Mais lá na frente, numa estradinha estreita e de difícil acesso para carros maiores, uma plantação de tomates e outras hortaliças chama atenção de quem passa. Antes da plantação um sangradouro e um cacimbão podem ser vistos, já denunciando que ali existe uma Barragem Subterrânea. A Barragem da família Ferreira.

No Sítio Anuês, nome dado a uma planta que servia de ração para os animais e que tinha muito no lugar, moram Brás Ferreira da Silva (mais conhecido como seu Ferreira) de 68 anos, dona Maria Raimunda de Carvalho de 70 anos e mais dois filhos. O casal tem mais outros três filhos que moram em Fronteiras, São Paulo e outro em Salitre no Ceará.

Casados há 48 anos eles nasceram e se criaram em Caldeirão Grande. Na propriedade da família as tarefas da roça são feitas pelos homens e as de casa pelas mulheres. As mulheres cuidam de alguns canteiros que garantem as hortaliças da alimentação. Os homens ficam de cuidar do feijão, do milho e da mandioca, além do trato com os animais e também da horta.

A água para beber e cozinhar é garantida pela cisterna de 16 mil litros que foi construída pelo Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil). Apesar de ter um poço cacimbão, a família só utiliza a água da cisterna para beber e cozinhar já que a água do poço é muito salgada e só serve para saciar a sede das galinhas, porcos, ovelhas e do gado que a família cria.

Seu Ferreira conta que antes não conhecia a Barragem Subterrânea. Depois de todas as sondagens, a equipe da Cáritas Brasileira Regional do Piauí – Unidade Gestora Territorial do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da ASA – viu que a o local era adequado para a construção dessa barragem diferente.

Mesmo sem entender direito como ficaria a barragem, já que nunca tinha visto igual antes, só através de desenhos, seu Ferreira acreditou e topou o desafio. Depois de construída a barragem e feito o curso de capacitação em Gestão de Água para a Produção de Alimentos, o agricultor diz que a experiência trouxe mais conhecimento sobre como lidar com essa nova forma de produção. Um conhecimento que antes eles não tinham.

No primeiro ano já deu para perceber como a barragem funciona. Ele conta que uma vala é cavada até chegar na pedra e uma lona é colocada para impedir que a água vá embora. No local que o solo fica úmido ele plantou tomate, batata, coentro, cebolinha, pimentão, pimenta, cenoura. O plantio dele é bem variado, mas o forte mesmo é o tomate. Como ele próprio diz, já tem vocação para plantar tomate. São 15 anos trabalhando com o fruto, passando pelo Maranhão e chegando em Picos, onde trabalhou nos últimos cinco anos.

Ele ensina como plantar o tomate. Primeiro se faz as mudas com as sementes guardadas ou compradas, com um canteirinho. Quando botar a plantinha do tomate deve-se mudar as plantas do canteirinho para a área que ficará até dar frutos. É importante que se tenha molhado suficiente para segurar a plantação. E veneno ele diz que não precisa botar. Como a plantação dele é bem diversificada e não desmata a propriedade, os insetos são bem controlados e deixam a plantação em paz.

Esse ano a plantação foi para experimentar e garantir o suficiente para por na mesa de casa. Mas seu Ferreira quer mais! E sabe que experimentando dá certo. Ele planeja plantar dois mil pés de tomate no lugar no próximo inverno. Se a água não der para o sonho dele, não tem problema. Ele garante que aprendeu como faz a barragem e pretende fazer outra para aproveitar mais uma área da propriedade.

Junto com a Barragem Subterrânea a família recebeu sementes de hortaliças variadas que a família já aproveitou nos canteiros e mudas de árvores frutíferas. Abacate, laranja, manga, caju, beterraba a família destinou outra área para serem plantadas. Só a manga que não pode ser plantada mais próximo da barragem, porque como explica seu Ferreira a raiz dela é muito grande chegando a dar três metros e a terra é muito rasa, impossibilitando o desenvolvimento da planta.

E garante: “Esse trabalho da Cáritas e da ASA é muito importante, porque chega a água para a pessoa trabalhar. Chega a água para a pessoa beber, para nós que nunca tinha visto isso. Então, eu estou muito satisfeito!”

Mariana Gonçalves - Comunicadora Popular P1+2/ASA Brasil/ Cáritas
Sistematizado em agosto de 2009 para o Boletim "O Candeeiro"

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cáritas apresenta livro com trajetória do Projeto Fecundação

Em 1605, Miguel de Cervantes escrevia a seguinte frase no seu mais célebre livro Dom Quixote: “Sonho que se sonha sozinho é apenas um sonho. Sonho que se sonha junto é o começo da realidade”. A frase pode até ter sido escrita a centenas de anos, mas nunca foi tão atual na realidade das famílias beneficiadas pelo Projeto Fecundação em
Coronel José Dias.

Para contar a história desse sonho que foi construído coletivamente entre as famílias do município, a Cáritas Brasileira Regional do Piauí organizou o livro “O Sonho Construído em Mutirão: uma experiência de convivência com o semiárido”. O livro conta toda a trajetória do projeto desde a idealização, diagnósticos, implantação e resultados concretos no município.

Nele buscou-se retratar os impactos sociais, ambientais e culturais da experiência, mostrando as ações desenvolvidas, o caráter dessas ações, desafios e importância para a população da região que busca melhores condições de vida.

Para apresentar essa experiência para a sociedade a Cáritas realizou na manhã da ultima sexta-feira (25) um café da manhã de lançamento do livro. Participaram do evento comunidades, Cáritas Diocesanas, Diretoria Nacional da Cáritas Brasileira, Pastorais Sociais, Secretaria Municipal de Educação de Coronel José Dias, Delegacia Regional do Trabalho, Banco do Nordeste, Governo do Estado, Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, Assembléia Legislativa do Piauí.

João Evangelista Oliveira e Rosângela Ribeiro de Carvalho
organizadores do livro

Agente da Cáritas desde 1996, Iran Morais contou como foi o início do projeto. Segundo ele, quando se começou a falar em convivência com a região o projeto ainda se chamava ‘El Niño’ e a partir da Carta de São Raimundo Nonato que se começou a planejar ações mais consistentes na região. “O Projeto Fecundação foi uma construção principalmente coletiva, no sentimento de que não se faz nada sozinho. A alegria é saber que a partir desse projeto foram fecundados outros como o ‘Vida e Dignidade no Sertão do Piauí’ que ajudou a formar técnicos agrícolas”. O agente conta ainda que o projeto provocou profundas transformações em Coronel José dias. “O município foi todo coberto com cisternas e possibilitou o envolvimento de todos em mutirão, na partilha e na solidariedade”, completou Iran.

A vice-presidente da Cáritas Brasileira, Anadete Reis, contou a trajetória das discussões em todo o Brasil para a consolidação do Programa de Convivência com o Semiárido no país. “Diante da realidade de abandono da região, a Cáritas começou a discutir ações mais eficientes. O primeiro desafio foi captar recursos e depois onde colocar a experiência. Foram várias as discussões até chegar ao Piauí, em comum acordo com os outros estados. Essa mesma discussão foi feita em nível local até chegar a Coronel José dias”. Ela ressaltou que o Projeto Fecundação nos mostra concretamente a forma de trabalhar da Cáritas a partir da construção coletiva com parcerias e também que é possível ter uma intervenção concreta na área da Educação para a melhoria de vida das pessoas.

Intervenção que foi ratificada por Filomena Neiva, representante da SEMEC de Coronel José Dias, que falou da importância das ações no modo de ensinar das escolas da rede pública. “Esse projeto deu subsídio para que nossos professores conhecessem melhor o que realmente é o Semiárido e suas possibilidades. Foram ministradas nove oficinas pedagógicas, mas nossa maior conquista foi o Plano Municipal de Educação que foi construído a partir da nossa realidade e com contribuição coletiva”, afirma Filomena.

Lúcia Araújo, representante do Governo do Estado, também fez parte da gestação do projeto e lembrou dos desafios iniciais. Ela ressaltou a importância das parcerias locais para concretização das experiências e colocou-se a disposição para estudar novas parcerias com o governo para o beneficiamento de mais famílias. A deputada Rejane Dias, representante da Assembléia Legislativa, também se colocou à disposição para implementar políticas públicas para o semiárido, a fim de levar transformações reais à região a partir do coletivo.

A secretária regional da Cáritas Brasileira, Hortência Mendes, encerrou o momento agradecendo a presença de todos/as comunidades e parcerias, ressaltando a união na construção de um novo modelo de solidariedade. “Devemos cultivar esse sentimento de solidariedade. Por mais problemas que a sociedade apresente não nos impede de trilhar novos caminhos porque Deus está conosco guiando nossos passos”, finalizou.