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terça-feira, 5 de abril de 2011
O livro "O Sonho Construído em Mutirão" agora versão online. Boa Leitura!
Para contar a história do sonho que foi construído coletivamente entre as famílias do município de Coronel José Dias, a Cáritas Brasileira Regional do Piauí organizou o livro “O Sonho Construído em Mutirão: uma experiência de convivência com o semiárido”. O livro conta toda a trajetória do projeto desde a idealização, diagnósticos, implantação e resultados concretos no município. Nele buscou-se retratar os impactos sociais, ambientais e culturais da experiência, mostrando as ações desenvolvidas, o caráter dessas ações, desafios e importância para a população da região que busca melhores condições de vida.
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quarta-feira, 2 de março de 2011
Piauienses elogiam série de desenhos da ASA Brasil
A série que foi feita por crianças da 4ª série mostra jeito divertido de conviver com o semiárido
Um cinema ao ar livre foi montado
para exibição dos vídeos
O Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido (FPCSA), representação estadual da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA Brasil), lançou na última quinta-feira (25) a série de desenhos animados “Água: vida e alegria no semiárido”. O evento, que aconteceu na sede da organização Obra Kolping Estadual do Piauí, em Teresina, contou com a participação das comissões municipais, agentes de campo, entidades que compõem o FPCSA e representantes do Conselho Fiscal da ASA, do Governo do Paiuí, além da deputada Flora Isabel.
Na cerimônia, foi apresentado aos participantes o Projeto Cisternas nas Escolas da ASA Brasil). A série de desenhos animados integra os produtos pedagógicos do Projeto. O educador popular Antonio “Bedeu”, da ONG Peixe que Ronca de Piracuruca (PI), apresentou o que é a série e como ela está sendo utilizada nos cursos de capacitação da ASA.
O educador explicou que a ASA tem mostrado que para assumir uma atitude de responsabilidade pela sua vida, a pessoa não precisa necessariamente ter muitos anos de estudo. O conhecimento adquirido na vida, no dia a dia, é valorizado pela ASA e tem feito a diferença nas comunidades rurais. Na escola, a ASA defende um projeto pedagógico que constrói o conhecimento através da observação e valorização da realidade dos alunos.
Segundo Carlos Humberto Campos, coordenador executivo do FPCSA, a série de desenhos animados é um instrumento pedagógico riquíssimo para trabalhar a convivência com o semiárido dentro das escolas. “Essa é uma série de desenhos que foi produzida de forma diferente, é uma série de criança para criança. Através da brincadeira é possível ensinar a conviver com a região”, diz.
Anadete Reis, integrante do Conselho Fiscal da ASA, elogiou a iniciativa lembrando que ao ver esses desenhos recorda de sua terra e sua infância. Os desenhos foram feitos por crianças da quarta série de Riachão do Jacuípe (BA) e a conselheira também é baiana. Ela ressaltou também a preocupação da ASA em dialogar com todas as idades nessa luta pela convivência.
Lúcia Araújo, diretora do Programa de Convivência com o Semiárido do Governo do Estado do Piauí, falou sobre a importância da parceria com o Unicef para consolidar as ações de convivência que devem iniciar bem cedo. “Construir cisternas nas escolas é uma discussão de longa data na Agência Nacional de Águas. A ASA está de parabéns pela implantação desse projeto que é uma forma de inserir a Educação Contextualizada de forma mais significativa dentro da Escola. O Governo do Estado também mostra uma preocupação grande com a região e estamos abertos para trabalharmos em conjunto com a sociedade civil”.
A deputada Flora Isabel também elogiou a iniciativa e colocou-se à disposição do FPCSA para pautar a luta pela convivência com o Semiárido no Legislativo. A deputada se comprometeu em pautar o semiárido piauiense e a luta da sociedade civil para a convivência digna com a região na Alepi.
Mariana Gonçalves e Paula Andréas - comunicadoras populares da ASA Brasil
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Cáritas apresenta livro com trajetória do Projeto Fecundação
Em 1605, Miguel de Cervantes escrevia a seguinte frase no seu mais célebre livro Dom Quixote: “Sonho que se sonha sozinho é apenas um sonho. Sonho que se sonha junto é o começo da realidade”. A frase pode até ter sido escrita a centenas de anos, mas nunca foi tão atual na realidade das famílias beneficiadas pelo Projeto Fecundação em
Coronel José Dias.
Para contar a história desse sonho que foi construído coletivamente entre as famílias do município, a Cáritas Brasileira Regional do Piauí organizou o livro “O Sonho Construído em Mutirão: uma experiência de convivência com o semiárido”. O livro conta toda a trajetória do projeto desde a idealização, diagnósticos, implantação e resultados concretos no município.
Nele buscou-se retratar os impactos sociais, ambientais e culturais da experiência, mostrando as ações desenvolvidas, o caráter dessas ações, desafios e importância para a população da região que busca melhores condições de vida.
Para apresentar essa experiência para a sociedade a Cáritas realizou na manhã da ultima sexta-feira (25) um café da manhã de lançamento do livro. Participaram do evento comunidades, Cáritas Diocesanas, Diretoria Nacional da Cáritas Brasileira, Pastorais Sociais, Secretaria Municipal de Educação de Coronel José Dias, Delegacia Regional do Trabalho, Banco do Nordeste, Governo do Estado, Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, Assembléia Legislativa do Piauí.
João Evangelista Oliveira e Rosângela Ribeiro de Carvalho
organizadores do livro
Agente da Cáritas desde 1996, Iran Morais contou como foi o início do projeto. Segundo ele, quando se começou a falar em convivência com a região o projeto ainda se chamava ‘El Niño’ e a partir da Carta de São Raimundo Nonato que se começou a planejar ações mais consistentes na região. “O Projeto Fecundação foi uma construção principalmente coletiva, no sentimento de que não se faz nada sozinho. A alegria é saber que a partir desse projeto foram fecundados outros como o ‘Vida e Dignidade no Sertão do Piauí’ que ajudou a formar técnicos agrícolas”. O agente conta ainda que o projeto provocou profundas transformações em Coronel José dias. “O município foi todo coberto com cisternas e possibilitou o envolvimento de todos em mutirão, na partilha e na solidariedade”, completou Iran.
A vice-presidente da Cáritas Brasileira, Anadete Reis, contou a trajetória das discussões em todo o Brasil para a consolidação do Programa de Convivência com o Semiárido no país. “Diante da realidade de abandono da região, a Cáritas começou a discutir ações mais eficientes. O primeiro desafio foi captar recursos e depois onde colocar a experiência. Foram várias as discussões até chegar ao Piauí, em comum acordo com os outros estados. Essa mesma discussão foi feita em nível local até chegar a Coronel José dias”. Ela ressaltou que o Projeto Fecundação nos mostra concretamente a forma de trabalhar da Cáritas a partir da construção coletiva com parcerias e também que é possível ter uma intervenção concreta na área da Educação para a melhoria de vida das pessoas.
Intervenção que foi ratificada por Filomena Neiva, representante da SEMEC de Coronel José Dias, que falou da importância das ações no modo de ensinar das escolas da rede pública. “Esse projeto deu subsídio para que nossos professores conhecessem melhor o que realmente é o Semiárido e suas possibilidades. Foram ministradas nove oficinas pedagógicas, mas nossa maior conquista foi o Plano Municipal de Educação que foi construído a partir da nossa realidade e com contribuição coletiva”, afirma Filomena.
Lúcia Araújo, representante do Governo do Estado, também fez parte da gestação do projeto e lembrou dos desafios iniciais. Ela ressaltou a importância das parcerias locais para concretização das experiências e colocou-se a disposição para estudar novas parcerias com o governo para o beneficiamento de mais famílias. A deputada Rejane Dias, representante da Assembléia Legislativa, também se colocou à disposição para implementar políticas públicas para o semiárido, a fim de levar transformações reais à região a partir do coletivo.
A secretária regional da Cáritas Brasileira, Hortência Mendes, encerrou o momento agradecendo a presença de todos/as comunidades e parcerias, ressaltando a união na construção de um novo modelo de solidariedade. “Devemos cultivar esse sentimento de solidariedade. Por mais problemas que a sociedade apresente não nos impede de trilhar novos caminhos porque Deus está conosco guiando nossos passos”, finalizou.
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
ASA Piauí avalia projeto Cisternas nas Escolas
“Pobreza, miséria, analfabetismo, doenças e baixa expectativa de vida. Essa é a realidade do Semiárido, propagada e consolidada no imaginário social. Não é resultado de calamidade originada no clima e na manifestação do fenômeno da seca, é uma construção humana, passível, portanto de ser revertida”. Foi com essas palavras que o coordenador executivo do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, Carlos Humberto Campos, iniciou o Encontro de Avaliação do Projeto Cisternas nas Escolas.
O encontro aconteceu nos dias 17 e 18 de fevereiro no Picos Hotel, em Picos (PI) e reuniu comissões municipais, secretários/as municipais de educação, zeladores, professores e equipes que executam o projeto. O evento teve o objetivo de avaliar os processos de mobilização da comunidade escolar em torno da construção das cisternas e como ela poderá servir como instrumento pedagógico para políticas de convivência com a região semiárida piauiense.
A tecnologia social, que acumula água da chuva para suprir as necessidades de consumo humano que já atendeu a mais de 300 mil famílias, foi estendida para escolas rurais de nove estados do Semiárido brasileiro. Nas unidades de ensino, os reservatórios tiveram sua capacidade ampliada para 52 mil litros. O projeto Cisternas nas Escolas, uma iniciativa da Articulação no Semi-árido Brasileiro (ASA Brasil), construiu 843 reservatórios em escolas da zona rural. Destas, 55 foram destinadas a municípios piauienses.
Os municípios contemplados com o projeto foram: Acauã, Capitão Gervásio Oliveira, Coronel José Dias, Inhuma, Ipiranga do Piauí, Jacobina do Piauí, Jurema, Oeiras, Pedro II, Picos, Piracuruca, Queimada Nova, São José do Divino, São Raimundo Nonato.
A água da cisterna escolar será utilizada para o consumo de crianças, professores e funcionários de escolas, pois no Semiárido, é comum muitas escolas pararem de funcionar por causa da falta de água. Na lógica do projeto, os professores e alunos são chamados a acompanhar o processo da implantação e a zelar pelo bom uso das cisternas e, além disso, a trabalhar a educação contextualizada a partir das cisternas. Deste modo, todas as disciplinas podem ser trabalhadas a partir do tema ‘Água e Cisternas’ e, assim, o debate sobre a convivência com o Semiárido entra na escola.
Segundo o Secretário Municipal de Educação de Acauã, José Edivaldo, o município tem sofrido bastante com a falta de água, que é escassa nos meses mais quentes do ano. “Muitas vezes temos que nos deslocar ao município de Afrânio (PE) para buscar água potável. Essas cisternas vieram para melhorar a vida das pessoas. Primeiro para as famílias, e agora para a comunidade escolar”. O professor salientou ainda a importância da parceria estabelecida entre a ASA e a prefeitura como uma motivação para os gestores pensarem mais no social.
Os participantes avaliaram o projeto como essencial para a garantia dos alunos em sala de aula o ano todo, mas sugeriram algumas mudanças. A proposta das pessoas que participaram do encontro é que o projeto também seja ampliado para a produção de alimentos, a fim de complementar a formação dos alunos em agroecologia e segurança alimentar. Uma forma de ampliar o debate sobre a Convivência com a região dentro da sala de aula.
O projeto é realizado pela ASA Brasil em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), a Agência de Cooperação Espanhola e o Instituto Ambiental Brasil Sustentável (IABS) e apoio do Unicef.
Educação a partir do contexto local
Ao longo de vários anos foi construída a imagem de que o semiárido é lugar de morte. E um dos responsáveis por essa visão por muitos anos, foi a escola que acabou reforçando essa idéia. Entretanto, muitas escolas tem adotado a educação contextualizada para modificar essa realidade indo na contramão da história. “A partir da Educação Contextualizada a escola começou a se inserir na realidade onde atua e tem ajudado as crianças e seus pais a conhecer melhor suas realidades e, principalmente, a construir conhecimento para mudar a realidade de injustiça em que se vive”, salienta Carlos Humberto.
Para isso muitas iniciativas estão sendo construídas em diversos municípios do semiárido para a concretização desse modelo de educação. Segundo Zumira Netinha, professora da Unidade Escolar Boca da Serra em Jurema, uma realidade do município é a graduação e especialização dos professores. “Hoje podemos dizer que em Jurema professores e professoras da rede pública na sua maioria são graduados e especializados para lecionarem em Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). E isso diminuiu a evasão escolar e a migração, pois muitos alunos tem desistido de ir para outros lugares tentar a vida e ficar na sua terra”. Para a professora, através das especializações os professores conseguem visualizar e repassar perspectivas de vida para os alunos dentro da realidade em que se vive.
Mariana Gonçalves - comunicadora popular FPCSA/ ASA Brasil/Cáritas
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