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sexta-feira, 4 de março de 2011

Sugestão de Blog sobre Educação Contextualizada

Desde fevereiro de 2010, está disponível na web um blog especializado em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido. A ferramenta é um espaço para aprendizado, discussão e compartilhamento de conhecimento sobre a região semiárida piauiense e como a escola faz o diferencial para que as famílias vivam com dignidade.

Participe desse espaçao de debate sobre a Educação no Semiárido e deixe suas idéias e produções. Nele encontramos opiniões, artigos, livros e muitas outras sugestões de abordagem.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Piauienses elogiam série de desenhos da ASA Brasil

A série que foi feita por crianças da 4ª série mostra jeito divertido de conviver com o semiárido

Um cinema ao ar livre foi montado
para exibição dos vídeos

O Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido (FPCSA), representação estadual da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA Brasil), lançou na última quinta-feira (25) a série de desenhos animados “Água: vida e alegria no semiárido”. O evento, que aconteceu na sede da organização Obra Kolping Estadual do Piauí, em Teresina, contou com a participação das comissões municipais, agentes de campo, entidades que compõem o FPCSA e representantes do Conselho Fiscal da ASA, do Governo do Paiuí, além da deputada Flora Isabel.

Na cerimônia, foi apresentado aos participantes o Projeto Cisternas nas Escolas da ASA Brasil). A série de desenhos animados integra os produtos pedagógicos do Projeto. O educador popular Antonio “Bedeu”, da ONG Peixe que Ronca de Piracuruca (PI), apresentou o que é a série e como ela está sendo utilizada nos cursos de capacitação da ASA.

O educador explicou que a ASA tem mostrado que para assumir uma atitude de responsabilidade pela sua vida, a pessoa não precisa necessariamente ter muitos anos de estudo. O conhecimento adquirido na vida, no dia a dia, é valorizado pela ASA e tem feito a diferença nas comunidades rurais. Na escola, a ASA defende um projeto pedagógico que constrói o conhecimento através da observação e valorização da realidade dos alunos.

Segundo Carlos Humberto Campos, coordenador executivo do FPCSA, a série de desenhos animados é um instrumento pedagógico riquíssimo para trabalhar a convivência com o semiárido dentro das escolas. “Essa é uma série de desenhos que foi produzida de forma diferente, é uma série de criança para criança. Através da brincadeira é possível ensinar a conviver com a região”, diz.

Anadete Reis, integrante do Conselho Fiscal da ASA, elogiou a iniciativa lembrando que ao ver esses desenhos recorda de sua terra e sua infância. Os desenhos foram feitos por crianças da quarta série de Riachão do Jacuípe (BA) e a conselheira também é baiana. Ela ressaltou também a preocupação da ASA em dialogar com todas as idades nessa luta pela convivência.

Lúcia Araújo, diretora do Programa de Convivência com o Semiárido do Governo do Estado do Piauí, falou sobre a importância da parceria com o Unicef para consolidar as ações de convivência que devem iniciar bem cedo. “Construir cisternas nas escolas é uma discussão de longa data na Agência Nacional de Águas. A ASA está de parabéns pela implantação desse projeto que é uma forma de inserir a Educação Contextualizada de forma mais significativa dentro da Escola. O Governo do Estado também mostra uma preocupação grande com a região e estamos abertos para trabalharmos em conjunto com a sociedade civil”.

A deputada Flora Isabel também elogiou a iniciativa e colocou-se à disposição do FPCSA para pautar a luta pela convivência com o Semiárido no Legislativo. A deputada se comprometeu em pautar o semiárido piauiense e a luta da sociedade civil para a convivência digna com a região na Alepi.

Mariana Gonçalves e Paula Andréas - comunicadoras populares da ASA Brasil

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Série de desenhos animados será lançada no Piauí

Água para cozinhar, beber, produzir e para educar esse é o objetivo da série de desenhos animados Água, Vida e Alegria no Semiárido que será lançado no dia 25 de fevereiro a partir das 19h no prédio da Obra Kolping, em Teresina.

A série de desenhos animados integra os produtos pedagógicos do Projeto Cisterna nas Escolas da Articulação no Semiárido Brasileiro (Asa Brasil), um material didático rico que trás a realidade das crianças da comunidade de Ponto Novo, município de Riachão do Jacuípe, na Bahia.

As crianças participaram de duas oficinas onde fizeram desenhos que representam a realidade em que vivem e as alternativas de convivência com o Semiárido praticadas na comunidade.
Os desenhos produzidos estão divididos em oito episódios, de cinco minutos cada, que contam a aventura de um mandacaru falante e um grupo de crianças. Cada episódio traz um tema relacionado aos processos de convivência com o semiárido: Açude; Cisterna; Uso Racional da Água; Ciclo da Água; Saúde e Higiene; Poluição dos Rios; Passado, Presente e Futuro; e Direito à Água Potável.

Documentário – Na ocasião, também será lançado o vídeo documentário Desenhando Histórias que mostra o processo de criação dos desenhos. O vídeo aborda a questão da educação contextualizada, modelo de ensino e aprendizagem em que o saber dos alunos é valorizado e a realidade deles é inserida na sala de aula.

Está programado para o lançamento um jantar de confraternização entre todos os participantes do evento. Já no dia 26 será realizado o Encontro Estadual de Planejamento do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, representação da Asa Brasil no Piauí.

Cisternas nas Escolas - O Projeto construiu 55 reservatórios de 52 mil litros em escolas da zona rural do Piauí. Os municípios contemplados com o projeto foram: Acauã, Capitão Gervásio Oliveira, Coronel José Dias, Inhuma, Ipiranga do Piauí, Jacobina do Piauí, Jurema, Oeiras, Pedro II, Picos, Piracuruca, Queimada Nova, São José do Divino, São Raimundo Nonato.

Na lógica do projeto, os professores e alunos são chamados a acompanhar o processo de construção e a zelar pelo bom uso das cisternas e, além disso, a trabalhar a educação contextualizada a partir das cisternas. Deste modo, todas as disciplinas podem ser trabalhadas a partir do tema Água e Cisternas e, assim, o debate sobre a convivência com o Semiárido entra na escola.

Serviço:
O que: Lançamento da série “Água: vida e alegria no semiárido”
Quando: 25 de fevereiro às 19h
Onde: Obra Kolping Estadual do Piauí – Conjunto Dirceu Arcoverde II, 3978

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ASA Piauí avalia projeto Cisternas nas Escolas

“Pobreza, miséria, analfabetismo, doenças e baixa expectativa de vida. Essa é a realidade do Semiárido, propagada e consolidada no imaginário social. Não é resultado de calamidade originada no clima e na manifestação do fenômeno da seca, é uma construção humana, passível, portanto de ser revertida”. Foi com essas palavras que o coordenador executivo do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, Carlos Humberto Campos, iniciou o Encontro de Avaliação do Projeto Cisternas nas Escolas.

O encontro aconteceu nos dias 17 e 18 de fevereiro no Picos Hotel, em Picos (PI) e reuniu comissões municipais, secretários/as municipais de educação, zeladores, professores e equipes que executam o projeto. O evento teve o objetivo de avaliar os processos de mobilização da comunidade escolar em torno da construção das cisternas e como ela poderá servir como instrumento pedagógico para políticas de convivência com a região semiárida piauiense.

A tecnologia social, que acumula água da chuva para suprir as necessidades de consumo humano que já atendeu a mais de 300 mil famílias, foi estendida para escolas rurais de nove estados do Semiárido brasileiro. Nas unidades de ensino, os reservatórios tiveram sua capacidade ampliada para 52 mil litros. O projeto Cisternas nas Escolas, uma iniciativa da Articulação no Semi-árido Brasileiro (ASA Brasil), construiu 843 reservatórios em escolas da zona rural. Destas, 55 foram destinadas a municípios piauienses.

Os municípios contemplados com o projeto foram: Acauã, Capitão Gervásio Oliveira, Coronel José Dias, Inhuma, Ipiranga do Piauí, Jacobina do Piauí, Jurema, Oeiras, Pedro II, Picos, Piracuruca, Queimada Nova, São José do Divino, São Raimundo Nonato.

A água da cisterna escolar será utilizada para o consumo de crianças, professores e funcionários de escolas, pois no Semiárido, é comum muitas escolas pararem de funcionar por causa da falta de água. Na lógica do projeto, os professores e alunos são chamados a acompanhar o processo da implantação e a zelar pelo bom uso das cisternas e, além disso, a trabalhar a educação contextualizada a partir das cisternas. Deste modo, todas as disciplinas podem ser trabalhadas a partir do tema ‘Água e Cisternas’ e, assim, o debate sobre a convivência com o Semiárido entra na escola.

Segundo o Secretário Municipal de Educação de Acauã, José Edivaldo, o município tem sofrido bastante com a falta de água, que é escassa nos meses mais quentes do ano. “Muitas vezes temos que nos deslocar ao município de Afrânio (PE) para buscar água potável. Essas cisternas vieram para melhorar a vida das pessoas. Primeiro para as famílias, e agora para a comunidade escolar”. O professor salientou ainda a importância da parceria estabelecida entre a ASA e a prefeitura como uma motivação para os gestores pensarem mais no social.

Os participantes avaliaram o projeto como essencial para a garantia dos alunos em sala de aula o ano todo, mas sugeriram algumas mudanças. A proposta das pessoas que participaram do encontro é que o projeto também seja ampliado para a produção de alimentos, a fim de complementar a formação dos alunos em agroecologia e segurança alimentar. Uma forma de ampliar o debate sobre a Convivência com a região dentro da sala de aula.

O projeto é realizado pela ASA Brasil em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), a Agência de Cooperação Espanhola e o Instituto Ambiental Brasil Sustentável (IABS) e apoio do Unicef.

Educação a partir do contexto local

Ao longo de vários anos foi construída a imagem de que o semiárido é lugar de morte. E um dos responsáveis por essa visão por muitos anos, foi a escola que acabou reforçando essa idéia. Entretanto, muitas escolas tem adotado a educação contextualizada para modificar essa realidade indo na contramão da história. “A partir da Educação Contextualizada a escola começou a se inserir na realidade onde atua e tem ajudado as crianças e seus pais a conhecer melhor suas realidades e, principalmente, a construir conhecimento para mudar a realidade de injustiça em que se vive”, salienta Carlos Humberto.

Para isso muitas iniciativas estão sendo construídas em diversos municípios do semiárido para a concretização desse modelo de educação. Segundo Zumira Netinha, professora da Unidade Escolar Boca da Serra em Jurema, uma realidade do município é a graduação e especialização dos professores. “Hoje podemos dizer que em Jurema professores e professoras da rede pública na sua maioria são graduados e especializados para lecionarem em Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). E isso diminuiu a evasão escolar e a migração, pois muitos alunos tem desistido de ir para outros lugares tentar a vida e ficar na sua terra”. Para a professora, através das especializações os professores conseguem visualizar e repassar perspectivas de vida para os alunos dentro da realidade em que se vive.

Mariana Gonçalves - comunicadora popular FPCSA/ ASA Brasil/Cáritas