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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Livro sobre a história do Projeto Fecundação será lançado nesta sexta (25)

Diversas experiências coletivas tem se multiplicado em todo o Estado na busca de melhores condições de vida para as famílias excluídas, principalmente no ambiente Semiárido, cujas condições climáticas, à primeira vista, parecem adversas. O Projeto Fecundação, uma ação pioneira da Cáritas Brasileira implantada a partir de 2001, veio contribuir com as famílias e comunidades empobrecidas do semiárido através do acesso à água de qualidade e em quantidade suficiente para o consumo humano. Além do desenvolvimento de conhecimentos e apropriação de saberes habilidades e técnicas da agropecuária apropriada para a convivência sustentável com a Caatinga, bioma predominante na região.

Para contar a história de como esse projeto começou no Piauí, a Cáritas Brasileira Regional do Piauí apresentará na próxima sexta-feira (25), às 9h no Centro Pastoral Paulo VI, o livro “O Sonho Construído em Mutirão: uma experiência de convivência com o semiárido”. O livro descreve toda a trajetória do projeto, desde sua idealização, passando por diagnósticos e resultados concretos no município de Coronel José Dias, local de implantação do projeto-piloto.

Através do olhar da Cáritas sob a trajetória desenvolvida pelo projeto, buscou-se retratar os impactos sociais, ambientais e culturais desta experiência, mostrando as ações desenvolvidas, o caráter dessas ações, os desafios que elas nos apresentam e sua importância para o povo da região na busca da melhoria das condições de vida e garantia geração de renda.

O trabalho foi fincado em quatro eixos de ação: Gestão, Recursos Hídricos, Produção Agropecuária Apropriada e Educação Contextualizada. Com destaque para esta ultima que buscou levar o tema “Convivência com o Semiárido” para a sala de aula das escolas municipais. Foram realizadas 09 (nove) oficinas pedagógicas com os professores da rede pública municipal. Essas oficinas culminaram com a elaboração do Plano Municipal de Educação de Coronel José Dias, plano este com bases nas potencialidades e possibilidades locais.

Resultados concretos do Projeto Fecundação

Recuperação do Barreiro Grande
01 Barragem Subterrânea
Limpeza de 02 Barreiros
40 famílias Capacitadas em Gestão de Recursos Hídricos
30 pedreiros capacitados em construção de cisternas
700 cisternas construídas
Marcação de 03 poços (hidroestesia)
Seminário Gestão de Recursos Hídricos
Limpeza do açude Salininha
Levantamento de poços para instalação de BAP’s
Cursos de técnicas de fenação, apicultura e ovinocaprinocultura
Curso de sanidade animal
Aquisição de 426 animais para a melhoria do rebanho
Aquisição de 82 toneladas de silagem
Casa de mel de Curral de Ramos
Curso de qualidade e higiene do mel
Aquisição de animais e material dos apriscos do grupo Barra do Campestre
03 grupos de criadores de caprinos e ovinos
02 grupos de apicultores
Inserção de sementes forrageiras na agricultura – 90 famílias
Otimização das culturas de caju e umbu com compra de mudas
Curso de técnicas em fruticultura – 20 famílias
Curso de manejo do solo e tecnologias apropriadas
Plantação de 33,74 hectares de caju
Curso de técnicas, gestão e comercialização de artesanato – 20 famílias
Oficina de produção de cajuína
Criação de Cooperativa de beneficiamento de frutas
Curso de fabricação de bombons de chocolate com recheio de umbu
09 oficinas pedagógicas de Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido
Plano Municipal de Educação de Coronel José Dias norteado pela Educação Contextualizada

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Solidariedade feminina

Mulheres do Tombador, em Itainópolis (PI), se destacam no manejo com os animais

Uma estrada estreitinha e uma barragem dão as boas vindas à comunidade Tombador, no município de Itainópolis no Piauí. Lá um grupo de mulheres batalhadoras tem mostrado que a força da mulher não está só na cozinha, cuidando do preparo do alimento da família, mas também na conquista desse alimento.

Maria Iraci da Costa, Adalveniza Ana da Costa e Leda Maura da Silva tem investido na criação de carneiros e ovelhas para alimentar a família. Já Maria Moreira da Costa, Josefa Joana do Espírito Santo, Expedita Joana do Espírito Santo, Maria Neta de Lima e Maria Sila da Costa tem criado galinhas caipiras.

A história desse grupo quem nos conta é Dona Iraci, coordenadora da Igreja Católica da comunidade, e numa das reuniões ela ficou sabendo da chegada do Projeto Fecundação da Cáritas Brasileira Regional do Piauí, com apoio da Manos Unidas. E gostou tanto da idéia que resolveu conversar com as outras pessoas para aceitar o projeto e trabalhar para que ele dê certo.

O projeto através de Fundos Produtivos Solidários levou o investimento para a criação de galinhas caipiras, ovelhas e carneiros para as famílias. Dona Iraci explica que, junto com o dinheiro pra comprar os animais, foram promovidos mutirões para montagem dos apriscos, cercados das galinhas e manejo adequado dos animais.

A escolha dos animais para a criação foi feita em acordo com as famílias. Segundo a agricultora, as mulheres assumiram a atividade com afinco e se reuniram para decidir quem iria criar o que. Quem tem pasto ficou com as criações e quem não tem ficou com as galinhas.

A força das mulheres do Tombador foi descoberta também na realização dos mutirões agroecológicos. Em um deles se registrou a participação de apenas 1 homem enquanto que as outras 11 participantes eram mulheres. Mas os homens não ficaram de fora do processo, foram eles que ficaram encarregados de retirar toda a madeira para a construção dos cercados e ajudar na montagem deles também.

Nos mutirões agroecológicos elas aprenderam a manter a saúde dos animais com a limpeza correta e periódica dos chiqueiros. Foi orientada as formas de como aproveitar o esterco que é retirado, preparando corretamente para a aplicação na plantação. Além da aplicação correta de medicamentos e castração dos animais. Nas galinhas foram explicadas formas de fabricação do cercado e alimentação adequada e o que também pode ser aproveitado para a alimentação delas.

Dona Iraci conta que vários remédios caseiros podem ser utilizados. “O álcool com angico, pau-ferro e ameixa para o umbigo e cicatrização de cortes. O remédio não serve só para os animais, uma pessoa que tiver um corte também pode usar sem problema”. Outro remédio usado é o Mastruz que elas colocam para secar, pisa e mistura no milho e no sal.

No caso dos ovinos, as famílias receberam 3 ovelhas para cada carneiro. A família dela conseguiu aumentar a produção para 25 cabeças e já venderam 7 cabeças. E as crias estão dando de 2, fazendo com que o rebanho aumente mais rápido.

Ela ensina algumas técnicas para criar os animais da melhor forma. Ela separa as ovelhas paridas dos demais animais para que não corra o risco dos outros matarem. “Às vezes algumas ovelhas não dão leite o suficiente para dar de mamar aos burregos, aí a gente dá leite de vaca com um pouco de água para não ficar muito forte”. Ela conta que o filhote criado com leite de gado fica mais formoso ainda.

A criação da família é abatida principalmente para consumo, mas quando é preciso comprar outras coisas eles vendem para ganhar o dinheiro necessário. O quilo é vendido a R$ 8,00 (oito reais), algumas criações dão um peso de 15 kg.

E tudo foi feito em espírito de solidariedade com as famílias. A cada dia, o grupo tirava madeira para a construção dos cercados de cada família. Sempre ajudando uns aos outros. Para conseguir um preço melhor para as telhas, o cimento e as telas dos galinheiros, todos e todas se juntaram para comprar tudo junto.

Dona Iraci conta que, por conta da estiagem desse ano, muita gente teve que vender parte da criação, mas ela foi persistente e acreditou que iria conseguir segurar seus animais por mais tempo. Mas o sentimento conjunto de que acreditando e com muito trabalho as coisas dão certo ainda existe na comunidade.

A devolução do fundo é feita de acordo com o lucro das famílias e condições climáticas, corrigido pelo salário mínimo. A esperança que as famílias consigam fazer com que essa atividade se consolide e ajude outras famílias também é algo bem forte na mente das mulheres do Tombador.

Por Mariana Gonçalves para o Boletim "O Candeeiro", informativo do Programa Uma terra e Duas Águas da ASA Brasil.