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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Piauí será sede do I Encontro Nacional de Acesso à Terra no Semiárido

Com o tema “Democratizando Terra e Água, construindo novas realidades”, o encontro reúne pessoas de todo o nordeste e Minas Gerais para discutir a realidade agrária no semiárido.



Muita animação e disposição para participar das discussões e trocas de experiência, é o que o Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido e a Articulação no Semiárido Brasileiro – ASA Brasil espera para I Encontro Nacional de Acesso à Terra no Semiárido, que será realizado nos dias 10, 11 e 12 de agosto, em Teresina. O encontro vai reunir cerca de 100 agricultores camponeses de todos os estados do Nordeste e Minas Gerais, organizações da sociedade civil e governantes para debater sobre a realidade agrária do Semiárido Brasileiro.

O Encontro Nacional de Acesso à Terra pretende proporcionar reflexões e debate sobre a democratização da terra que garanta a soberania alimentar das famílias agricultoras do Semiárido brasileiro. Para isso, o evento vai reunir quatro temas que serão analisados em oficinas: direito ao território, atingidos e/ou ameaçados pelo agro e hidronegócio, reorganização fundiária e agricultura familiar e crise fundiária. Cada temática será discutido à luz de relatos de experiências reais.

Para favorecer um processo de reflexão mais aprofundado sobre a realidade agrária do Semiárido do Brasil, as temáticas serão apresentadas através de experiências de luta pela terra que foram mapeados em todos os nove estados da ASA. O Piauí apresentará a experiência das comunidades tradicionais Tapuio de Queimada Nova e Novo Zabelê de São Raimundo Nonato.

Para Carlos Humberto Campos, coordenador executivo da ASA pelo estado do Piauí, a realização do encontro é uma oportunidade de discutir as várias realidades de exclusão que existem e de pensar, conjuntamente, como fortalecemos as resistências do povo do Semiárido. “O debate sobre o acesso à terra traz o tema para a pauta do dia, pois a terra é o elemento fundamental para se construir um desenvolvimento sustentável”, diz.

Dom Tomás Balduíno abre encontro da ASA em Teresina (PI)

A abertura do evento, que acontecerá na quarta-feira (10), ás 19h no auditório Mestre Expedito do Centro de Artesanato Mestre Dezinho, contará com a participação de Dom Tomás Balduíno. Goiano, filósofo e teólogo com pós-graduação em Antropologia e Linguística, Dom Tomás Balduíno foi Bispo da Cidade de Goiás (hoje Goiás Velho) durante 31 anos. De 1965 a 1967 cuidou do prelado de Conceição do Araguaia, se tornando bastante conhecido por seu trabalho em defesa de índios e trabalhadores rurais.

Dom Tomás Balduíno foi fundador do Conselho Indigenista Missionário, em 1972, e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 1975. Assumiu a presidência da entidade em 1999, quando a luta pela posse da terra começou a se intensificar no País. Destacado ativista das causas dos povos mais necessitados e entusiasta do movimento dos trabalhadores sem-terra no País, Dom Tomás tem se colocado no meio da polêmica agrária, criticando o governo de omissão e apontando o agronegócio, o judiciário e autoridades como responsáveis pela violência no campo.

O Bispo foi reconhecido por diversas instituições por sua luta pelos direitos humanos e justiça social. Em 2006, recebeu o Prêmio de Direitos do Homem Dr. João Madeira Cardoso, pela Fundação Mariana Seixas, de Viseu, Portugal, em colaboração com o Conselho Distrital de Coimbra da Ordem dos Advogados. No mesmo ano, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Católica de Goiás. Em 2008, recebeu o prêmio Reflections of Hope, da Oklahoma City National Memorial Foudation, como exemplo de esperança na solução das causas que levam a miséria de tantas pessoas em todo o mundo.

A abertura do evento contará também com a participação da dupla regional “Os Olivêra”, animando o evento com músicas e poesias com a temática do sertão. Durante suas apresentações, há uma intercalação de sons e letras com arranjo ao estilo piauiense de fazer arte, com um refinado toque melódico associado a poemas.

PROGRAMAÇÃO

10 de agosto
19h Abertura do evento
19h30 Composição da Mesa
Democratizando terra e águas, construindo novas realidades
20h50 Debate em plenária

11 de agosto
8h Mística
8h40 Apresentação da metodologia do trabalho nas oficinas temáticas
9h Oficinas temáticas
14h Carrossel de Experiências

12 de agosto
8h Plenária de síntese
9h30 Trabalho em grupo por estado
14h Mesa de diálogos de acesso a terra no semiárido
16h30 Mística de encerramento

Serviço:
I Encontro Nacional de Acesso à Terra no Semiárido “ Democratizando Terra e Água. Construindo novas realidades”
Abertura: Auditório Mestre Expedito do Centro de Artesanato Mestre Dezinho – Praça Pedro II
Encontro: Prédio da Obra Kolping do Piauí, localizado no Conjunto Dirceu Arcoverde II, 3978, bairro Dirceu.
Realização: Articulação no Semi-Árido Brasileiro (Asa Brasil)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Famílias agricultoras do Piauí conhecem experiências de convivência em PE

Durante os dias 24 e 25 de junho, 12 agricultores/as familiares do município de Monsenhor Hipólito (PI), visitaram experiências em agricultura agorecológica nos municípios de Araripina, Ipubi, Exu e Ouricuri, região do Araripe pernambucano. Nas visitas, os agricultores e agricultoras puderam conhecer um modo de produção que respeita o meio ambiente, as práticas alternativas ao uso de agrotóxicos, o manejo de sistema agroflorestal, o beneficiamento de frutas, e também sobre organização comunitária.

Todos os agricultores que participaram das visitas foram beneficiados com a cisterna calçadão, uma das tecnologias do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), através da Cáritas Brasileira Regional do Piauí. Os reservatórios acumulam até 52 mil litros de água, que é destinada à produção de alimentos, a fim de garantir a segurança alimentar e nutricional das famílias agricultoras. Nas localidades visitadas foi possível perceber a forma como os/as agricultores/as de Pernambuco fazem o manejo da água da cistern
a para o melhor aproveitamento na produção.

No primeiro dia (24/06), no município de Exu, o grupo visitou a experiência de agricultura agroflorestal do casal de agricultores Vilmar Lermen e Maria Silvanete, que moram na comunidade da Serra dos Paus Dóias. A família utiliza o sistema de cultivo agroflorestal, que, em seu manejo, mistura plantas anuais, forrageiras, frutíferas, adubadoras e nativas. Nesse tipo de cultivo não se utiliza fogo, venenos ou adubos químicos.

“Agrofloresta é uma mistura de plantas e experimentos que criam uma relação entre si. O controle das formigas, por exemplo, é feito utilizando a manipueira da mandioca, as plantas iscas ou as repelentes”, explica Vilmar. A família ainda utiliza a borra da manipueira, riquíssima em cálcio, para adubar o solo, e, principalmente para o plantio de melancia, tomate e maracujá.

Seu Heleno explica como faz a produção de mudas de alface.
Foto: Mariana Gonçalves

Já o agricultor Heleno Nascimento, que mora no Sítio Samambaia, em Araripina, também foi visitado, e tem uma receita diferente para tratar das pragas: uma solução feita à base do Nim (Azadirachta indica). Ele contou que nos seus canteiros de hortaliças só utiliza defensivos naturais, além de priorizar a rotação de culturas. “Toda vez que se retira a produção de alface, por exemplo, se coloca outro tipo de hortaliça no local, para não desgastar o solo, e produzir sempre com a mesma qualidade”, ensina Seu Heleno.

Boa gestão da água - No segundo dia (25/06), os participantes do intercâmbio visitaram a experiência da família de Maria Viana, na comunidade do Vidéu Velho, município de Ouricuri. Na ocasião, os agricultores e agricultoras puderam aprender sobre o gerenciamento da água da cisterna calçadão que é feito pela família. “Nós fazemos o cálculo da quantidade de água que pode ser utilizada por dia, de modo que dure até o final do ano, período em que volta a chover na região”, conta Maria Viana. Segundo ela, os cálculos mostraram que a família só poderá começar a usar a água do reservatório em setembro; enquanto isso, a família utiliza a água de um barreiro próximo para produzir alimentos. Ela explicou ao grupo que no período de estiagem é muito importante ter a água da cisterna, pois o barreiro seca também.

A agricultora contou aos visitantes que antes da construção da cisterna de placas (16 mil litros), construída pelo Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), da ASA, e também da cisterna calçadão, a vida era muito difícil. “A gente não tinha reservatório nenhum, nem carroça, tinha que ir de carro de boi buscar água nas cacimbas, e às vezes as latas derramavam no meio do caminho, e a gente voltava novamente. Quando a gente chegava em casa não tinha onde armazenar a água, era um sofrimento”, conta Dona Maria Viana.

Segundo o agricultor José de Ribamar, da Chapada do Sítio em Monsenhor Hipólito, as experiências vivenciadas no intercâmbio deixaram os visitantes cheios de vontade para produzir alimentos. “Aqui a gente viu que dá certo, é só experimentar sem ter medo. É uma oportunidade não só de conhecer o que as outras famílias estão produzindo, mas também de trocar conhecimento, ensinar o que a gente sabe e ver o que eles fazem para melhorar de vida”, avalia o agricultor.


Mariana Gonçalves e Mariana Landim - comunicadoras populares da ASA

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Fórum Piauiense realiza seminário para discutir o PAA e a política de ATER

O Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido (FPCSA) realizará no período de 19 a 21 de maio, no município de Teresina-PI, o I Seminário Piauiense de Avaliação do PAA e Irradiação de Experiências dentro da Política de ATER. O evento que tem como tema “Plantando vivências e colhendo experiências sem agrotóxicos”, vai fazer uma avaliação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no estado. O Seminário tem o apoio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O evento também tem o propósito da troca de experiências dentro da política de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) no que diz respeito à participação das famílias agricultoras e da sociedade civil para o desenvolvimento sustentável do Semiárido. Essa participação se dá através do incentivo e prática da produção agroecológica.

O que é o PAA?

Apoiar a participação da agricultura familiar no mercado é um desafio quando se quer aumentar a renda das famílias, preservar o meio ambiente, manter hábitos alimentares saudáveis e reduzir a fome. O PAA é um mecanismo em que o governo federal compra produtos da agricultura familiar para a formação de estoques estratégicos ou doação às pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional.

O Programa de Aquisição de Alimentos foi instituído pelo artigo 19 da Lei nº 10.696 de 2 de julho de 2003 e tem como objetivo adquirir alimentos de agricultores familiares com dispensa de licitação. Assim como permitir aos agricultores familiares que estoquem seus produtos para serem comercializados a preços mais justos e promover a inclusão social no campo por meio do fortalecimento da agricultura familiar.

O PAA também é um programa com compromisso com a agrobiodiversidade e agroecologia, pois possibilita a aquisição de produtos regionais e agroextrativistas, incentivando o manejo sustentável dos agroecossitemas locais. Além disso, incentiva a produção orgânica com um aumento de até 30% no preço do produto.

O Programa é interministerial, sendo operacionalizado com recursos orçamentários do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Sua execução encontra-se a cargo da Conab e de governos estaduais e municipais, que operam através de convênios estabelecidos com o MDS.

Quem participa do PAA

Agricultores familiares, assentados da reforma agrária, acampados, extrativistas, atingidos por barragens, pescadores artesanais, indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Valorização da agricultura familiar

Cerca de 80% das famílias agricultoras do Brasil estão no Semiárido e 60% dos alimentos que abastecem o mercado interno vêm da agricultura familiar. A atividade emprega 77% dos 17 milhões de brasileiros que trabalham no campo. De 2003 a 2010, o já foram investidos em todo o Brasil R$ 3,5 bilhões na compra de 3,1 milhões de toneladas de alimentos produzidos pelos pequenos agricultores. Para 2011, o orçamento é de R$ 650 milhões.

Incentivo ao PAA no Piauí

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado do Piauí, em seis anos o PAA já atendeu 116 municípios. Em 2011, a Conab pretende executar o programa em mais 224 municípios. Somente nos quatro primeiros meses desse ano foram aplicados R$ 526 mil para a compra de aproximadamente 240 mil toneladas de alimentos. Em 2010 R$ 3 milhões foram investidos no programa em todo o estado.

Com este evento, o Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido pretende também aproximar os agricultores beneficiários do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), do funcionamento do PAA. O programa visa à segurança alimentar e complementação da renda das famílias a partir da construção de reservatórios de água de 52 mil litros (cisternas-calçadão), barragens subterrâneas, tanques de pedra e instalação de Bombas D’Água Populares (BAP’s).

Mariana Gonçalves e Paula Andréas - comunicadoras populares da ASA

Fonte: asabrasil.org.br

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Criatividade das famílias ajuda a encher cisternas calçadão no Piauí

Na comunidade Capivara, 12 quilômetros da zona urbana do município de Massapê do Piauí, uma canalização diferente chama atenção das pessoas que passam pela porteira da casa de dona Teresinha Vita de Jesus. Essa canalização liga o telhado da casa da agricultora à sua cisterna calçadão construída através do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), através da Cáritas Brasileira Regional do Piauí.

Dona Teresinha conta que ganhou sua cisterna em 2008, mas com o inverno fraco e a chuva pouca nunca tinha visto sua cisterna encher. Foi quando seu filho, Sebastião José de Araújo – o Bastim -, viu a idéia do agricultor Luis Gonzaga Carvalho, o Luís da Apolônia, que é seu vizinho.

“Meu filho viu que ele tinha puxado uns canos do telhado para o ‘cisternão’ e a gente resolveu fazer também. Quando a cisterna pequena enche, a gente engata os canos do ‘cisternão’. Desde que a gente recebeu essa cisterna ainda não tinha visto ela encher, por causa do inverno fraco. Agora com a água que escorre do calçadão e das telhas ela enche e é rápido”, conta a agricultora.

Dona Maria das Mercês dos Santos Reis, esposa do seu Luis da Apolônia, conta que a invenção surgiu quando a família viu a cisterna pequena sangrando e a água da chuva indo embora. Até então seu Luis ainda não tinha visto ninguém fazendo igual. “Ele viu que o cano enchia a cisterna pequena e resolveu experimentar ligar o telhado, que é bem grande, no ‘cisternão’ também”.

Na casa do seu Luís da Apolônia e dona Mercês, uma parte do telhado enche a cisterna pequena e a outra parte ajuda a encher a cisterna grande. E ainda sobrou telhado sem calha. A intenção do casal é buscar uma forma de aproveitar essa parte também. “Ano passado só encheu por causa dos canos, pois a chuva foi fraquinha. Se a gente pudesse tinha outra cisterna dessa para colocar essa água que ainda vai embora, porque água aqui é difícil”.

A estiagem no Piauí ano passado foi uma das maiores da década. Na região de Picos, onde o município de Massapê fica localizado, as últimas chuvas de 2010 caíram no mês de maio. Em Caldeirão Grande, município vizinho a Massapê, dona Eliene Josefa moradora da comunidade Pau Ferro - na contagem pluviométrica que faz todos os anos -, chegou a registrar a precipitação de somente 376 mm de chuva durante todo o período. No semiárido Piauiense o nível anual médio de precipitação é de 700 mm.

Mariana Gonçalves - Comunicadora Popular ASA Brasil/ FPCSA/ Cáritas

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Barragem Subterrânea muda a vida e alimentação da família Ferreira

Logo quando se chega na comunidade Pau Ferro, no município de Caldeirão Grande do Piauí, imensos calçadões dão as boas vindas para as pessoas visitantes. Junto deles, reservatórios de 52 mil litros servem para armazenar a água captada durante o período chuvoso e que servirão para a produção de alimentos para as famílias.

Mais lá na frente, numa estradinha estreita e de difícil acesso para carros maiores, uma plantação de tomates e outras hortaliças chama atenção de quem passa. Antes da plantação um sangradouro e um cacimbão podem ser vistos, já denunciando que ali existe uma Barragem Subterrânea. A Barragem da família Ferreira.

No Sítio Anuês, nome dado a uma planta que servia de ração para os animais e que tinha muito no lugar, moram Brás Ferreira da Silva (mais conhecido como seu Ferreira) de 68 anos, dona Maria Raimunda de Carvalho de 70 anos e mais dois filhos. O casal tem mais outros três filhos que moram em Fronteiras, São Paulo e outro em Salitre no Ceará.

Casados há 48 anos eles nasceram e se criaram em Caldeirão Grande. Na propriedade da família as tarefas da roça são feitas pelos homens e as de casa pelas mulheres. As mulheres cuidam de alguns canteiros que garantem as hortaliças da alimentação. Os homens ficam de cuidar do feijão, do milho e da mandioca, além do trato com os animais e também da horta.

A água para beber e cozinhar é garantida pela cisterna de 16 mil litros que foi construída pelo Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil). Apesar de ter um poço cacimbão, a família só utiliza a água da cisterna para beber e cozinhar já que a água do poço é muito salgada e só serve para saciar a sede das galinhas, porcos, ovelhas e do gado que a família cria.

Seu Ferreira conta que antes não conhecia a Barragem Subterrânea. Depois de todas as sondagens, a equipe da Cáritas Brasileira Regional do Piauí – Unidade Gestora Territorial do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da ASA – viu que a o local era adequado para a construção dessa barragem diferente.

Mesmo sem entender direito como ficaria a barragem, já que nunca tinha visto igual antes, só através de desenhos, seu Ferreira acreditou e topou o desafio. Depois de construída a barragem e feito o curso de capacitação em Gestão de Água para a Produção de Alimentos, o agricultor diz que a experiência trouxe mais conhecimento sobre como lidar com essa nova forma de produção. Um conhecimento que antes eles não tinham.

No primeiro ano já deu para perceber como a barragem funciona. Ele conta que uma vala é cavada até chegar na pedra e uma lona é colocada para impedir que a água vá embora. No local que o solo fica úmido ele plantou tomate, batata, coentro, cebolinha, pimentão, pimenta, cenoura. O plantio dele é bem variado, mas o forte mesmo é o tomate. Como ele próprio diz, já tem vocação para plantar tomate. São 15 anos trabalhando com o fruto, passando pelo Maranhão e chegando em Picos, onde trabalhou nos últimos cinco anos.

Ele ensina como plantar o tomate. Primeiro se faz as mudas com as sementes guardadas ou compradas, com um canteirinho. Quando botar a plantinha do tomate deve-se mudar as plantas do canteirinho para a área que ficará até dar frutos. É importante que se tenha molhado suficiente para segurar a plantação. E veneno ele diz que não precisa botar. Como a plantação dele é bem diversificada e não desmata a propriedade, os insetos são bem controlados e deixam a plantação em paz.

Esse ano a plantação foi para experimentar e garantir o suficiente para por na mesa de casa. Mas seu Ferreira quer mais! E sabe que experimentando dá certo. Ele planeja plantar dois mil pés de tomate no lugar no próximo inverno. Se a água não der para o sonho dele, não tem problema. Ele garante que aprendeu como faz a barragem e pretende fazer outra para aproveitar mais uma área da propriedade.

Junto com a Barragem Subterrânea a família recebeu sementes de hortaliças variadas que a família já aproveitou nos canteiros e mudas de árvores frutíferas. Abacate, laranja, manga, caju, beterraba a família destinou outra área para serem plantadas. Só a manga que não pode ser plantada mais próximo da barragem, porque como explica seu Ferreira a raiz dela é muito grande chegando a dar três metros e a terra é muito rasa, impossibilitando o desenvolvimento da planta.

E garante: “Esse trabalho da Cáritas e da ASA é muito importante, porque chega a água para a pessoa trabalhar. Chega a água para a pessoa beber, para nós que nunca tinha visto isso. Então, eu estou muito satisfeito!”

Mariana Gonçalves - Comunicadora Popular P1+2/ASA Brasil/ Cáritas
Sistematizado em agosto de 2009 para o Boletim "O Candeeiro"

quarta-feira, 2 de março de 2011

Piauienses elogiam série de desenhos da ASA Brasil

A série que foi feita por crianças da 4ª série mostra jeito divertido de conviver com o semiárido

Um cinema ao ar livre foi montado
para exibição dos vídeos

O Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido (FPCSA), representação estadual da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA Brasil), lançou na última quinta-feira (25) a série de desenhos animados “Água: vida e alegria no semiárido”. O evento, que aconteceu na sede da organização Obra Kolping Estadual do Piauí, em Teresina, contou com a participação das comissões municipais, agentes de campo, entidades que compõem o FPCSA e representantes do Conselho Fiscal da ASA, do Governo do Paiuí, além da deputada Flora Isabel.

Na cerimônia, foi apresentado aos participantes o Projeto Cisternas nas Escolas da ASA Brasil). A série de desenhos animados integra os produtos pedagógicos do Projeto. O educador popular Antonio “Bedeu”, da ONG Peixe que Ronca de Piracuruca (PI), apresentou o que é a série e como ela está sendo utilizada nos cursos de capacitação da ASA.

O educador explicou que a ASA tem mostrado que para assumir uma atitude de responsabilidade pela sua vida, a pessoa não precisa necessariamente ter muitos anos de estudo. O conhecimento adquirido na vida, no dia a dia, é valorizado pela ASA e tem feito a diferença nas comunidades rurais. Na escola, a ASA defende um projeto pedagógico que constrói o conhecimento através da observação e valorização da realidade dos alunos.

Segundo Carlos Humberto Campos, coordenador executivo do FPCSA, a série de desenhos animados é um instrumento pedagógico riquíssimo para trabalhar a convivência com o semiárido dentro das escolas. “Essa é uma série de desenhos que foi produzida de forma diferente, é uma série de criança para criança. Através da brincadeira é possível ensinar a conviver com a região”, diz.

Anadete Reis, integrante do Conselho Fiscal da ASA, elogiou a iniciativa lembrando que ao ver esses desenhos recorda de sua terra e sua infância. Os desenhos foram feitos por crianças da quarta série de Riachão do Jacuípe (BA) e a conselheira também é baiana. Ela ressaltou também a preocupação da ASA em dialogar com todas as idades nessa luta pela convivência.

Lúcia Araújo, diretora do Programa de Convivência com o Semiárido do Governo do Estado do Piauí, falou sobre a importância da parceria com o Unicef para consolidar as ações de convivência que devem iniciar bem cedo. “Construir cisternas nas escolas é uma discussão de longa data na Agência Nacional de Águas. A ASA está de parabéns pela implantação desse projeto que é uma forma de inserir a Educação Contextualizada de forma mais significativa dentro da Escola. O Governo do Estado também mostra uma preocupação grande com a região e estamos abertos para trabalharmos em conjunto com a sociedade civil”.

A deputada Flora Isabel também elogiou a iniciativa e colocou-se à disposição do FPCSA para pautar a luta pela convivência com o Semiárido no Legislativo. A deputada se comprometeu em pautar o semiárido piauiense e a luta da sociedade civil para a convivência digna com a região na Alepi.

Mariana Gonçalves e Paula Andréas - comunicadoras populares da ASA Brasil

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Série de desenhos animados será lançada no Piauí

Água para cozinhar, beber, produzir e para educar esse é o objetivo da série de desenhos animados Água, Vida e Alegria no Semiárido que será lançado no dia 25 de fevereiro a partir das 19h no prédio da Obra Kolping, em Teresina.

A série de desenhos animados integra os produtos pedagógicos do Projeto Cisterna nas Escolas da Articulação no Semiárido Brasileiro (Asa Brasil), um material didático rico que trás a realidade das crianças da comunidade de Ponto Novo, município de Riachão do Jacuípe, na Bahia.

As crianças participaram de duas oficinas onde fizeram desenhos que representam a realidade em que vivem e as alternativas de convivência com o Semiárido praticadas na comunidade.
Os desenhos produzidos estão divididos em oito episódios, de cinco minutos cada, que contam a aventura de um mandacaru falante e um grupo de crianças. Cada episódio traz um tema relacionado aos processos de convivência com o semiárido: Açude; Cisterna; Uso Racional da Água; Ciclo da Água; Saúde e Higiene; Poluição dos Rios; Passado, Presente e Futuro; e Direito à Água Potável.

Documentário – Na ocasião, também será lançado o vídeo documentário Desenhando Histórias que mostra o processo de criação dos desenhos. O vídeo aborda a questão da educação contextualizada, modelo de ensino e aprendizagem em que o saber dos alunos é valorizado e a realidade deles é inserida na sala de aula.

Está programado para o lançamento um jantar de confraternização entre todos os participantes do evento. Já no dia 26 será realizado o Encontro Estadual de Planejamento do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, representação da Asa Brasil no Piauí.

Cisternas nas Escolas - O Projeto construiu 55 reservatórios de 52 mil litros em escolas da zona rural do Piauí. Os municípios contemplados com o projeto foram: Acauã, Capitão Gervásio Oliveira, Coronel José Dias, Inhuma, Ipiranga do Piauí, Jacobina do Piauí, Jurema, Oeiras, Pedro II, Picos, Piracuruca, Queimada Nova, São José do Divino, São Raimundo Nonato.

Na lógica do projeto, os professores e alunos são chamados a acompanhar o processo de construção e a zelar pelo bom uso das cisternas e, além disso, a trabalhar a educação contextualizada a partir das cisternas. Deste modo, todas as disciplinas podem ser trabalhadas a partir do tema Água e Cisternas e, assim, o debate sobre a convivência com o Semiárido entra na escola.

Serviço:
O que: Lançamento da série “Água: vida e alegria no semiárido”
Quando: 25 de fevereiro às 19h
Onde: Obra Kolping Estadual do Piauí – Conjunto Dirceu Arcoverde II, 3978

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ASA Piauí avalia projeto Cisternas nas Escolas

“Pobreza, miséria, analfabetismo, doenças e baixa expectativa de vida. Essa é a realidade do Semiárido, propagada e consolidada no imaginário social. Não é resultado de calamidade originada no clima e na manifestação do fenômeno da seca, é uma construção humana, passível, portanto de ser revertida”. Foi com essas palavras que o coordenador executivo do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, Carlos Humberto Campos, iniciou o Encontro de Avaliação do Projeto Cisternas nas Escolas.

O encontro aconteceu nos dias 17 e 18 de fevereiro no Picos Hotel, em Picos (PI) e reuniu comissões municipais, secretários/as municipais de educação, zeladores, professores e equipes que executam o projeto. O evento teve o objetivo de avaliar os processos de mobilização da comunidade escolar em torno da construção das cisternas e como ela poderá servir como instrumento pedagógico para políticas de convivência com a região semiárida piauiense.

A tecnologia social, que acumula água da chuva para suprir as necessidades de consumo humano que já atendeu a mais de 300 mil famílias, foi estendida para escolas rurais de nove estados do Semiárido brasileiro. Nas unidades de ensino, os reservatórios tiveram sua capacidade ampliada para 52 mil litros. O projeto Cisternas nas Escolas, uma iniciativa da Articulação no Semi-árido Brasileiro (ASA Brasil), construiu 843 reservatórios em escolas da zona rural. Destas, 55 foram destinadas a municípios piauienses.

Os municípios contemplados com o projeto foram: Acauã, Capitão Gervásio Oliveira, Coronel José Dias, Inhuma, Ipiranga do Piauí, Jacobina do Piauí, Jurema, Oeiras, Pedro II, Picos, Piracuruca, Queimada Nova, São José do Divino, São Raimundo Nonato.

A água da cisterna escolar será utilizada para o consumo de crianças, professores e funcionários de escolas, pois no Semiárido, é comum muitas escolas pararem de funcionar por causa da falta de água. Na lógica do projeto, os professores e alunos são chamados a acompanhar o processo da implantação e a zelar pelo bom uso das cisternas e, além disso, a trabalhar a educação contextualizada a partir das cisternas. Deste modo, todas as disciplinas podem ser trabalhadas a partir do tema ‘Água e Cisternas’ e, assim, o debate sobre a convivência com o Semiárido entra na escola.

Segundo o Secretário Municipal de Educação de Acauã, José Edivaldo, o município tem sofrido bastante com a falta de água, que é escassa nos meses mais quentes do ano. “Muitas vezes temos que nos deslocar ao município de Afrânio (PE) para buscar água potável. Essas cisternas vieram para melhorar a vida das pessoas. Primeiro para as famílias, e agora para a comunidade escolar”. O professor salientou ainda a importância da parceria estabelecida entre a ASA e a prefeitura como uma motivação para os gestores pensarem mais no social.

Os participantes avaliaram o projeto como essencial para a garantia dos alunos em sala de aula o ano todo, mas sugeriram algumas mudanças. A proposta das pessoas que participaram do encontro é que o projeto também seja ampliado para a produção de alimentos, a fim de complementar a formação dos alunos em agroecologia e segurança alimentar. Uma forma de ampliar o debate sobre a Convivência com a região dentro da sala de aula.

O projeto é realizado pela ASA Brasil em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), a Agência de Cooperação Espanhola e o Instituto Ambiental Brasil Sustentável (IABS) e apoio do Unicef.

Educação a partir do contexto local

Ao longo de vários anos foi construída a imagem de que o semiárido é lugar de morte. E um dos responsáveis por essa visão por muitos anos, foi a escola que acabou reforçando essa idéia. Entretanto, muitas escolas tem adotado a educação contextualizada para modificar essa realidade indo na contramão da história. “A partir da Educação Contextualizada a escola começou a se inserir na realidade onde atua e tem ajudado as crianças e seus pais a conhecer melhor suas realidades e, principalmente, a construir conhecimento para mudar a realidade de injustiça em que se vive”, salienta Carlos Humberto.

Para isso muitas iniciativas estão sendo construídas em diversos municípios do semiárido para a concretização desse modelo de educação. Segundo Zumira Netinha, professora da Unidade Escolar Boca da Serra em Jurema, uma realidade do município é a graduação e especialização dos professores. “Hoje podemos dizer que em Jurema professores e professoras da rede pública na sua maioria são graduados e especializados para lecionarem em Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). E isso diminuiu a evasão escolar e a migração, pois muitos alunos tem desistido de ir para outros lugares tentar a vida e ficar na sua terra”. Para a professora, através das especializações os professores conseguem visualizar e repassar perspectivas de vida para os alunos dentro da realidade em que se vive.

Mariana Gonçalves - comunicadora popular FPCSA/ ASA Brasil/Cáritas